'O brasileiro é machista', diz Marco Aurélio sobre preconceito com futebol feminino
Ex-coordenador da Seleção Brasileira é o convidado do CNN Esportes S/A deste domingo (30)

O CNN Esporte S/A deste domingo (30) recebeu o dirigente Marco Aurélio Cunha. O ex-coordenador da Seleção Brasileira disse que o machismo estrutural na sociedade brasileira é o motivo para o preconceito que ainda existe contra o futebol feminino no Brasil.
"Acho que o brasileiro é machista, o nosso futebol masculino é muito forte, então, toda vez que você compara com o feminino, você vai ver obviamente, o futebol masculino tem mais força física, uma história vencedora há muito tempo. Aí vem uma comparação injusta, indevida, ‘ah, mas é diferente, não é bom’... é ótimo o futebol feminino, bem jogado, é artístico, é técnico, é bonito de ver. A gente precisa ter olhos pra entender isso", afirmou MAC na conversa com o apresentador João Vítor Xavier.
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O dirigente elogiou ainda o espaço que as narradoras vêm ganhando nas transmissões na TV e a importância disso para a aceitação do futebol feminino entre o público em geral.
"Eu vejo agora com as narradoras de futebol, algumas narradoras excelentes. Você vê que você se acostuma. ‘Ah, não quero ouvir mulher narrando’, era uma ideia assim. Agora você fala: 'Pô, essa menina narra bem, é gostoso ouvir a narração dela'. Então entra a aceitação. Primeiro tem o 'não gostei, não ouvi, não quero', depois o 'poxa, até que não é ruim', até o 'ela é boa'. Então, essa transição de análises, de apuração cerebral, de sair desse machismo estrutural e começar a entender um pouco mais a figura feminina inserida em todos os modelos do país, em todas as situações, todos os caminhos, você vai diminuindo um pouco desse preconceito. Mas ainda tem os ‘raizão’ chatos que ainda falam dessa forma. Porque eles não experimentaram o futebol, não viram, não se deram a oportunidade de gostar, então, vem um fato consumado na cabeça deles infelizmente", disse Marco Aurélio Cunha.
A nova geração de jogadoras
Na entrevista, o dirigente falou sobre a nova geração de jogadoras brasileiras e disse que a comparação com nomes como Marta, Formiga e Cristiane é injusta.
"É que elas são tão importantes. Havia aquele trio fantástico, Marta, Formiga e Cristiane, três tenores do futebol feminino, então o nível de comparação fica muito elevado. É como falar: ‘Quem vai substituir o Romário? Ronaldo? Neymar?’. Essa comparação é muito injusta. Mas você vê que o futebol evolui, vêm jogadoras de diferentes características, hoje o jogo é muito mais coletivo do que individual. Os valores individuais não são superados pelo coletivo, o coletivo tem que perdurar", avaliou.
Para MAC, a evolução do futebol feminino se dá em todo o mundo, com a tendência de que a disparidade diminua entre as seleções que estão sempre conquistando títulos e as demais.
"Vamos ter talvez uma certa decadência das grandes escolas, como Estados Unidos, Alemanha e França. Elas vêm de um momento muito grande, mas isso acaba passando. O futebol sempre tem o dia do outro. Aquelas grandes seleções que estão habituadas a vencer vão ter cada vez mais dificuldades. Quando você fala de geração, de substituição, isso acontece naturalmente. Não na grandeza daquelas que foram, até porque naquela época havia menos jogadoras, hoje já há um universo maior de jogadoras para serem comparadas", disse.
CNN Esportes S/A
O programa com Marco Aurélio Cunha é a nona edição do CNN Esportes S/A. O programa que vai ao ar todos os domingos, às 21h15, fala sobre um mercado que movimenta bilhões e é um dos mais lucrativos do mundo: o futebol.
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