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Futebol feminino: especialista analisa lesões constantes de LCA no Cruzeiro

Cabulosas tem sete atletas em tratamento de lesão de rompimento do ligamento cruzado anterior do joelho, mais de 20% do elenco

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Paloma Maciel em treino do Cruzeiro
Paloma Maciel em treino do Cruzeiro • Gustavo Martins/Cruzeiro

O time feminino do Cruzeiro está passando por uma série de lesões no joelho. Nesta temporada, seis atletas já romperam o ligamento cruzado anterior. A mais recente delas foi a zagueira Paloma Maciel. Na quarta-feira (17), durante treino da Seleção Brasileira, em Itu (SP), ela teve uma entorse e foi diagnosticado o rompimento do LCA do joelho direito, associado a lesão meniscal.

Além dela, em 2026, outras cinco atletas tiveram a mesma lesão. A primeira foi Milena, em 16 de abril. Em 29 de abril, foi a vez de Gaby Soares. No mês seguinte, em 22 de maio, Ravenna lesionou. Apenas seis dias depois, Tainara e Laura Felipe se juntaram à elas.

No momento, o Cruzeiro tem sete jogadoras - mais de 20% de todo o elenco - em tratamento por ruptura de LCA. A atacante Sandoval se lesionou em julho de 2025, e ainda não voltou às atividades. Dessas sete, seis já passaram por cirurgia.

Em entrevista à Itatiaia, o fisioterapeuta esportivo e especialista pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil) Flávio Martins falou sobre a incidência desse tipo de lesão em jogadoras de futebol. Segundo ele, uma combinação de fatores anatômicos, biomecânicos, neuromusculares e hormonais influenciam.

"Destacam-se diferenças no controle neuromuscular do joelho, padrões de aterrissagem após saltos, força dos músculos estabilizadores e possíveis influências hormonais sobre a elasticidade ligamentar. Atualmente, entende-se que a lesão é multifatorial e não pode ser atribuída a uma única causa", disse Flávio.

O tratamento indicado no caso dessas lesões é cirurgico. Todas as atletas do Cruzeiro são operadas e acompanhadas pelo departamento médico do clube.

"Após a cirurgia, inicia-se uma longa jornada da reabilitação, que envolve controle da dor e do edema, recuperação da amplitude de movimento, fortalecimento muscular progressivo, treinamento neuromuscular, exercícios específicos para o futebol e critérios rigorosos para retorno ao esporte", explica Flávio.

Além disso, o fisioterapeuta apontou uma diferença entre o pós-cirurgico de homens e mulheres para correção de rompimento de LCA. De acordo com ele, por mais que a recuperação seja parecida para os dois gêneros, a taxa de reincidência nas mulheres é maior.

"Alguns estudos sugerem que atletas do sexo feminino podem apresentar taxas mais elevadas de uma nova lesão após o retorno ao esporte, especialmente quando persistem déficits de força, controle neuromuscular ou quando o retorno ocorre precocemente. Por isso, o processo de reabilitação deve ser individualizado e baseado em critérios funcionais objetivos, e não apenas no tempo transcorrido desde a cirurgia", analisa.

 Lesões no Cruzeiro

Com o grande número de atletas com lesões de LCA no Cruzeiro, em maio, o clube informou que estava conduzindo estudos para entender a maior recorrência desse tipo de lesão no futebol de mulheres.

“Em que pesem os já conhecidos fatores que fazem as lesões ligamentares no joelho serem mais recorrentes no futebol feminino, em comparação ao masculino, e a casualidade das contusões em questão, o clube ressalta que tem realizado um profundo estudo sobre as circunstâncias relacionadas a lesões sofridas pelas atletas com este diagnóstico. O Cruzeiro trabalha de maneira incessante para mitigar a incidência dessas lesões”, divulgou o clube.

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Giovanna Rafaela Castro é jornalista graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Amante de esportes e suas diversas ramificações no extracampo. Passagem por Estado de Minas.

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