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Botafogo busca reinício após crise criada pelo próprio Bruno Lage

Diretoria opta por demitir Bruno Lage a 13 rodadas do fim do Campeonato Brasileiro, o qual o Botafogo segue como líder isolado

Após 15 jogos em 76 dias, o Botafogo optou por interromper o curto trabalho e demitir Bruno Lage nesta terça (3), após uma série de cinco partidas sem vitórias. Além dos resultados, o que mais pesou foi a crise criada por um técnico empenhado em chamar para si pressão e responsabilidade até então inexistentes. Em um mês, as escolhas e as declarações de Lage tornaram o ambiente insustentável.

“O que não posso permitir é que a pressão que está sendo exercida sobre mim seja exercida sobe meus jogadores. É isso que eu tenho para dizer. Meu lugar está à disposição de quem manda, sem qualquer outra coisa para dizer. Boa noite, obrigado”, afirmou o técnico em 2 de setembro, há um mês.

Um mês de erros

No fim de agosto, com o time a 11 pontos de distância do vice-líder Palmeiras após 21 rodadas do Brasileirão, o Botafogo manteve o planejamento e entrou com um time praticamente reserva diante do Defensa y Justicia-ARG, no jogo de ida das quartas de final, e ficou no empate em 1 a 1. Na semana seguinte, Bruno Lage escalou mais titulares, mas a derrota em Buenos Aires resultou na eliminação.

Sul-Americana

A má gestão do grupo foi o primeiro sinal de alerta no trabalho de Bruno Lage. Três dias depois, a primeira derrota do Botafogo no Nilton Santos no Brasileirão, logo em um clássico contra o Flamengo, acabou ofuscada pelo pronunciamento do técnico que colocou o cargo à disposição da diretoria.

Foi uma tentativa de blindar o grupo, segundo o próprio Lage, que queria chamar para si a “pressão externa”. A estratégia, que surpreendeu diretoria e departamento de futebol, não deu certo. Primeiro, porque o técnico não mostrou estar preparado para ser o “alvo”, como havia afirmado que estaria.

Posteriormente, as decisões da comissão técnica minaram a confiança da torcida e dos jogadores. Lage, que assumiu um time “encaixado”, passou a fazer improvisações mesmo com opções da função.

Clássico com o Flamengo

No citado clássico contra o Flamengo, entrou com um lado direito com o volante JP na lateral e Segovinha aberto na ponta para enfrentar um adversário com Bruno Henrique e Ayrton Lucas.

O atacante acabou sendo decisivo e principal nome da partida. Foram mais duas partidas sem apresentar um bom futebol, contra Atlético e Corinthians, fora de casa, até o jogo contra o Goiás.

Tiquinho Soares no banco

De volta ao Nilton Santos, Lage surpreendeu jogadores, torcida e diretoria ao bancar Tiquinho Soares. No estádio, o clima piorou assim que a escalação foi divulgada. Internamente, a decisão não foi compreendida pois, ao longo de toda preparação, o treinador não havia testado essa possibilidade.

A explicação de Lage, ao afirmar que deixou Tiquinho no banco por conta das atuações recentes, não convenceu. Como pedido pelo técnico, a pressão foi, de fato, toda para cima dele, e a continuidade do trabalho tornou-se insustentável. A diretoria definiu a demissão de Bruno Lage nesta terça-feira (3).

E agora?

Além da demissão de Bruno Lage e comissão técnica, o Botafogo anunciou que Lucio Flavio e Joel Carli assumem interinamente o comando da equipe na preparação para o clássico com o Fluminense, domingo (8), no Maracanã, pela 26ª rodada do Brasileirão. Os dois acompanharam de perto, em funções diferentes, o trabalho de Luís Castro. O clube quer voltar a ser o time que foi até julho.

Jornalista e correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.
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