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Colunista critica fala polêmica de treinador do Vasco: ‘Machismo escancarado’

Ramón Díaz lamentou a presença de uma mulher à frente do VAR na partida entre Grêmio e Vasco, pela primeira rodada do Brasileirão

Por e 
Técnico Ramón Díaz precisará mudar setor defensivo
Técnico Ramón Díaz está livre no mercado • Leandro Amorim/Vasco

A fala machista de Ramón Díaz a respeito do trabalho da árbitra de vídeo Daiane Muniz segue rendendo grandes repercussões negativas. Para a colunista Alicia Klein, do portal Uol, o técnico do Vasco verbalizou a ideia que muitos homens têm sobre a participação das mulheres no meio futebolístico.

Após a derrota do Vasco para o Red Bull Bragantino, nesta quarta (17), o técnico Ramón Díaz atacou Muniz, responsável pelo VAR na partida contra o Grêmio, no domingo (14). O argentino afirmou ser “lamentável” ter uma mulher na posição.

“Ele (Ramón Díaz) verbalizou a ideia absurda de que uma mulher é menos capacitada para habitar o meio do futebol. Este lugar aparentemente tão complexo, de regras tão labirínticas, profundas e herméticas, que só um homem seria capaz de interpretar. Ah, vá para o patriarcado que o pariu, sinceramente”, desabafou a colunista.

A crítica de Alícia também cita a tentativa do argentino de escapar do comentário feito. Segundo o treinador, ele não teve a intenção de ofender a ninguém e apenas ressaltar que “uma só pessoa não pode tomar uma decisão tão importante como é a participação do VAR no futebol”.

Após o episódio, o perfil oficial do Vasco foi ao X (antigo Twitter) para se desculpar pelas falas do treinador. “O Vasco da Gama lamenta a declaração do técnico Ramón Díaz e reafirma o compromisso de reforçar as medidas e diretrizes educativas necessárias em acordo com suas determinações, valores e princípios. Pedimos, assim como nosso técnico, desculpas”, postou o clube.

Mesmo diante das retratações, Alicia Klein ressalta que as falas do treinador argentino perpetuam a ideia da superioridade masculina e como é fácil que esses ideais sejam acatados pela noção pública.

“Eles (comentários) carregam um efeito inescapável: tornar o ambiente hostil às mulheres. Fomentam a dúvida. Fazem-nas se questionar permanentemente. Até as mais capazes, até quando obviamente têm razão. Pisando em ovos, sempre olhando para o lado com a sensação de que os homens estão esperando um erro seu para confirmar a premissa”, pontuou.

“O meio do futebol não nos permite esquecer o tanto que nos detesta. Todo dia é um "lava a louça" pra lá, um "cala a boca, vagabunda" pra cá. Momentos como os de ontem, porém, chegam como um tapa na cara. Um sacode para lembrar o tanto que ainda temos por caminhar se o treinador de um dos clubes mais tradicionais do país se sente confortável para falar esse tipo de coisa, diante de inúmeras câmeras e microfones. E, claro, receber apoio nas redes de uma galera que concorda com ele”, concluiu Alicia em sua análise.

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Ana Luiza Pereira é jornalista formada pela PUC Minas. Repórter multimídia da Rádio Itatiaia, acumula passagens anteriores pela TV Horizonte, Rádio Inconfidência e Rede Minas de Televisão.

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Jornalista e correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.

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