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Brasil mira sediar Games of the Future em 2027; entenda o que é o evento

Competição internacional que une esportes tradicionais, eSports e tecnologias como robótica e inteligência artificial pode desembarcar no Brasil em 2027

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Brasil quer sediar os Games of the Future em 2027
Brasil quer sediar os Games of the Future em 2027 • Divulgação/GOTF

O Brasil está na disputa para sediar a edição de 2027 dos Games of the Future, um dos eventos esportivos mais inovadores do mundo, que combina modalidades físicas e digitais em uma competição única.

O que são os Games of the Future?

Segundo René Fasel, o conceito central dos Games of the Future está na fusão entre atividade física e desempenho digital, o chamado 'figital'.

“É o esporte do futuro. Jogar futebol no campo e no computador exige preparo físico, coordenação e estratégia. Com cada vez mais jovens imersos nos games, a ideia é atraí-los também para o movimento físico por meio da competição”, explicou.

A primeira edição foi realizada em Kazan, na Rússia, em 2024, com números impressionantes: mais de 2 mil atletas, público físico de 300 mil pessoas e participantes de 116 países. O sucesso foi tão acima das expectativas que impulsionou a expansão da competição para outras regiões, incluindo agora a América do Sul.

Em 2025, Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, receberá o evento entre 18 e 23 de dezembro. Em 2026, o Cazaquistão sediará o GOTF.

Nos Games of the Future, competidores iniciam os confrontos em modalidades de eSports, como Counter-Strike, e ao final dos jogos transitam para o esporte físico. No caso do FPS, a competição se torna uma partida de laser tag, por exemplo.

Candidatura brasileira: estrutura e apoio político

Moacyr Alves destacou o desafio e o rigor do processo de candidatura, que já envolveu a entrega de um dossiê com mais de 100 páginas. “Foram avaliadas distâncias entre aeroporto, hotéis e locais dos jogos. Uma delegação internacional já veio ao Brasil avaliar pessoalmente os espaços”, afirmou.

Segundo ele, São Paulo e Brasília são cidades cotadas para receber as competições. A movimentação política também já começou. “Falei com o pessoal em Brasília e eles estão muito empolgados com a possibilidade de incluir corridas como modalidade. Querem viabilizar a etapa nacional por lá ainda este ano”, revelou.

Concorrendo com África do Sul, Uzbequistão e Sérvia, o Brasil surge como favorito. “O evento já passou pela Rússia, Emirados Árabes e vai ao Cazaquistão. Chegou a hora de mudar de continente”, completou Moacyr.

Potencial da América Latina e impacto econômico

Para Fasel, a América Latina — e o Brasil em particular — é uma potência esportiva e digital. “O Brasil pode ser o maior mercado de games do mundo. Colocar o esporte tradicional e os games lado a lado aqui é unir duas paixões nacionais”, disse.

“O desafio é sermos mais conhecidos. Mas com mais visibilidade, cresceremos muito rápido”, complementou.

O impacto econômico também é promissor. “Sabemos como eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas movimentaram a economia brasileira. Os Games of the Future podem fazer o mesmo em menor escala, mas com grande retorno para turismo, negócios locais e a indústria criativa”, afirmou Fasel.

O evento também se conecta com universidades e centros de inovação. “Estamos criando parcerias com escolas e faculdades para desenvolver pesquisas e soluções juntos, principalmente com IA e tecnologia de dados”, completou.

Oportunidades para profissionais brasileiros

Moacyr destacou o potencial do evento para fomentar a economia digital e tecnológica do país. “Vi uma quadra de basquete totalmente sensorial, com LED e dados biométricos em tempo real, como batimentos cardíacos e nível de estresse dos atletas. Isso é tecnologia e oportunidade”, afirmou.

Segundo ele, áreas como desenvolvimento de jogos, criação de conteúdo, startups e esportes eletrônicos têm muito a ganhar. “Imagine o impacto disso para criadores, atletas híbridos e empresas de tecnologia. Viemos de uma geração que só assistia aos jogos. Agora vamos criá-los juntos.”

Expectativa por anúncio oficial

A expectativa é que o anúncio oficial da sede ocorra ainda neste ano. Caso o Brasil seja confirmado, será a primeira vez que os Games of the Future acontecerão fora da Europa e da Ásia, reforçando a posição do país como protagonista global em inovação esportiva e tecnológica.

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Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH. Já atuou em diversas áreas do jornalismo, como assessoria de imprensa, redação e comunicação interna. Apaixonado por esportes em geral e grande entusiasta dos e-sports