Coudet repete jogadores no Galo, mas não dá sequência ao que funciona de um jogo para o outro
Treinador vem sendo questionado sobre o rodízio de atletas, enquanto torcedores reclamam da falta de entrosamento do time.

Com um calendário apertado, com muitos jogos em sequência e pouco tempo de treinamento, o desejo de quase todos os treinadores no Brasil é encontrar uma escalação que funcione e, a partir daí, dar sequência ao time para, consequentemente, aperfeiçoar o encaixe coletivo.
Dentro desse cenário, mudanças pontuais serão imprescindíveis, principalmente a partir de uma indicação da fisiologia do clube, a fim de evitar lesões. Mas repito, mudanças pontuais.
Essa realidade parece a ideal para muitos, inclusive para mim. Mas isso não tem acontecido no Atlético. E tem incomodado.
Coudet tem uma base. Sua dupla de atacantes é Paulinho e Hulk. Seus zagueiros titulares são Jemerson e Lemos. Seu principal meio-campista é o Zaracho. Mas só. Os 11 nomes ideais ele não sabe. Nem mesmo para os jogos mais importantes da temporada.
O treinador do Galo repete jogadores ao longo das partidas. Esses que citei acima estão presentes em quase todas as formações. O problema é que não há sequência. E sem continuidade se perde muito tempo na busca pelo entrosamento. Além disso, a falta de sequência prejudica a confiança dos atletas.
Edenílson vai bem, no jogo seguinte não entra. Igor Gomes faz dois gols, na partida seguinte não atua. Pavón tem se mostrado um dos atletas mais agudos do Galo, mas Coudet insiste em não jogar no 4-3-3, mesmo com os próprios jogadores indicando que essa formação talvez fosse a melhor, como disse Hulk em entrevista coletiva.
Sem Allan, a saída de bola do Galo perdeu muita qualidade. Contra o Alianza Lima, Bruno Fuchs fez uma ótima partida e contribuiu muito nesse fundamento. Mas foi outro jogador que entrou no rodízio e também não apareceu na escalação seguinte.
Não acho que a saída de Coudet seja a melhor alternativa para o Atlético, especialmente pela falta de opções no mercado. Mas acredito que o técnico possa simplificar seu futebol, mantendo os melhores em campo, diminuindo o rodízio e aperfeiçoando o afinamento coletivo.
Nathália Fiuza é comentarista da Rádio Itatiaia e escreve diariamente aqui.
