Lima Duarte: atrizes negras rebatem ator após fala apontada como racista
Lima Duarte foi acusado de racismo após revelar que recusou zona de prostituição por ter somente mulheres negras

O ator Lima Duarte, de 96 anos, foi criticado por uma fala apontada como racista durante o "Troféu especial 75 anos da TV brasileira", promovido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). O evento ocorreu na noite dessa segunda-feira (4), e as cenas viralizaram hoje.
A fala ocorreu quando Lima narrava sua chegada a São Paulo, à época com 15 anos. O ator, que é natural de Sacramento, em Minas Gerais, explicou que, ao chegar à capital paulista, foi convidado para uma zona de prostituição.
“Um dia um moleque daqueles chegou para mim e falou assim: ‘Vamos na zona?’", iniciou.
Em seguida, ele explicou a diferença de preço do serviço nas ruas Aimorés e Itaboca, ambas no bairro do Bom Retiro. Na Itaboca, o preço era bem inferior.
"Eu falei: 'Vamos na Itaboca’, ele falou: 'Só tem preta’. Eu não fui. Moleque de rua, dormi embaixo do caminhão, não fui porque só tinha preta. Que vida, hein? Que coisa eu fui percebendo ao longo desta vida. Então, fomos na Aimorés", continuou.
"Vi uma judia, que era dona da casa, mas dessas que vieram da guerra, né? Olhou para mim e falou assim: 'Menino, o que está fazendo aí?'... 'Eu vim ver uma mulher, aí'. E eu fiquei morando com ela... Tinha uma judia, uma atriz francesa, que tinha uma visão diferente do mundo, né?", seguiu.
Na sequência, ele contou que ela sugeriu que ele fizesse algo, como cantar, por exemplo.
Atrizes negras se manifestaram
A declaração foi apontada como racista. Carmen Luz, Shirley Cruz e Grace Passô, que foram premiadas, se manifestaram sobre a fala do ator.
Carmen destacou que mulheres pretas "não estão no mundo para serem recusadas" e pediu, recebendo aplausos, que elas se levantassem. "Celebramos as vossas presenças", disse.
Shirley Cruz declarou: "Eu sou uma mulher de pensamento próspero, de atitudes prósperas. Eu sou a prosperidade das minhas ancestrais, eles [filhos] são a minha prosperidade. A prosperidade é um direito nosso. Vejam só: de rejeitados a premiados. Carmen Luz, te amo".
"Seria muito importante que o pensamento negro brasileiro, das pensadoras brasileiras, das artistas brasileiras, pudesse contribuir para a ópera contemporânea. E eu sabia o quanto a nossa contribuição, enquanto pensadoras negras, seria importante para a ópera contemporânea do Brasil. Por exemplo, o que seria desta noite sem o discurso da Carmen Luz? Quem seríamos nós? Como sairíamos daqui? Essa artista que lembrou que nós, mulheres negras, não nascemos para sermos negadas", afirmou a atriz Grace Passô.
Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.



