Veja fala de Lima Duarte que rendeu graves acusações
Lima Duarte foi acusado de racismo por fala durante evento; entenda

Uma fala de Lima Duarte fez com que o nome do ator se tornasse um dos assuntos mais comentados nas redes sociais nesta quarta-feira (6). Durante evento da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), o artista, de 96 anos, disse ter recusado ir a uma zona de prostituição porque só havia mulheres negras, criando uma onda de indignação.
Ao ser homenageado, Lima Duarte subiu ao palco e decidiu revelar parte de sua história. O ator, natural de Sacramento, em Minas Gerais, comentava sobre a época em que chegou à capital paulista.
“Um dia um moleque daqueles chegou para mim e falou assim: ‘Vamos na zona?’", iniciou.
Em seguida, ele explicou a diferença de preço do serviço nas ruas Aimorés e Itaboca, ambas no bairro do Bom Retiro. Na Itaboca, o preço era bem inferior.
"Eu falei: 'Vamos na Itaboca’, ele falou: 'Só tem preta’. Eu não fui. Moleque de rua, dormi embaixo do caminhão, não fui porque só tinha preta. Que vida, hein? Que coisa eu fui percebendo ao longo desta vida. Então, fomos na Aimorés", continuou, deixando o público e atrizes revoltados.
- Assista aqui.
'De rejeitados a premiados'
Carmen Luz, Shirley Cruz e Grace Passô, que foram premiadas, rebataram as falas de Lima Duarte sem citar o nome do ator.
Carmen destacou que mulheres pretas "não estão no mundo para serem recusadas" e pediu, recebendo aplausos, que elas se levantassem. "Celebramos as vossas presenças", disse.
Shirley Cruz declarou: "Eu sou uma mulher de pensamento próspero, de atitudes prósperas. Eu sou a prosperidade das minhas ancestrais, eles [filhos] são a minha prosperidade. A prosperidade é um direito nosso. Vejam só: de rejeitados a premiados. Carmen Luz, te amo".
"Seria muito importante que o pensamento negro brasileiro, das pensadoras brasileiras, das artistas brasileiras, pudesse contribuir para a ópera contemporânea. E eu sabia o quanto a nossa contribuição, enquanto pensadoras negras, seria importante para a ópera contemporânea do Brasil. Por exemplo, o que seria desta noite sem o discurso da Carmen Luz? Quem seríamos nós? Como sairíamos daqui? Essa artista que lembrou que nós, mulheres negras, não nascemos para sermos negadas", afirmou a atriz Grace Passô.
Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.



