MPF intervém e pede 'suspensão imediata' de dinâmica no BBB 26
Órgão recomenda que a Globo vete provas com mais de três horas e garanta pausas para alimentação e banheiro; entenda

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou o fim de dinâmicas extremas, como provas de resistência e castigos do monstro, no BBB 26. Para o órgão, os participantes não devem sofrer privação de banheiros, água e comida durante as atividades.
"A TV Globo deve vetar provas que exijam mais de três horas ininterruptas em pé ou isolamento com luzes intensas. A emissora precisa, ainda, garantir intervalos regulares para descanso, alimentação e hidratação em disputas longas", destacou o MPF.
Além disso, conforme o órgão, "participantes com problemas de saúde prévios devem ser poupados de dinâmicas arriscadas sem sofrer punições".
Recentemente, Ana Paula Renault foi submetida a um castigo do monstro de resistência. Com problemas na coluna, a sister se queixou em diversos momentos de que estava com dores e chegou até a chorar.
O texto também recomenda que os participantes não sejam penalizados ao sentirem mal-estar físico ou mental. Outro pedido é quanto ao atendimento psicológico. O órgão solicita acompanhamento por tempo indeterminado para aqueles que desistirem ou forem eliminados.
A reportagem da Itatiaia entrou em contato com a TV Globo e aguarda retorno.
Tortura em dinâmicas
Em março, o Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para investigar se a TV Globo torturou participantes em dinâmicas do BBB 26. Entre elas, o Exilado, as Provas de Resistência e o Quarto Branco, onde os jogadores foram submetidos a ruídos constantes, baixas temperaturas e tiveram acesso a apenas água e biscoitos para conquistarem vagas no elenco principal.
A "Carta Aberta" foi enviada ao MPF pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), na qual destacaram que a dinâmica guardava semelhanças com práticas de tortura empregadas durante a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). No texto, eles mencionaram o desmaio de Rafaella depois de mais de 100 horas confinada no Quarto Branco.
Na dinâmica final, os participantes foram colocados em uma base, tendo acesso apenas a água e biscoitos de tempo em tempos. Caso descessem, eles seriam eliminados do desafio que valia quatro vagas no reality show. Após o desmaio de Rafaella, Chaiany, Gabriela, Leandro e Matheus conquistaram as vagas.
O MPF alega que a produção expôs a saúde dos envolvidos a riscos desnecessários, além de submetê-los a situações perigosas para gerar entretenimento, o que representa uma afronta direta à dignidade humana.
O procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, determinou a abertura de uma investigação motivada pelos riscos à integridade física e psicológica dos participantes do reality show. O documento reforça que a liberdade artística das emissoras de TV não justifica o desrespeito a direitos fundamentais.
"O MPF ressalta que a vedação à tortura e ao tratamento degradante é um preceito constitucional absoluto que deve ser zelado por todas as esferas de governo. Para o órgão, a normalização do sofrimento alheio como forma de espetáculo é incompatível com os objetivos fundamentais da República de construir uma sociedade justa e solidária", alertou o comunicado enviado à imprensa.
Em sua defesa apresentada nos autos, a TV Globo sustentou que disponibiliza acompanhamento médico constante, equipado com UTI móvel e protocolos de transferência hospitalar. A emissora ainda assegurou que Henri Castelli foi devidamente assistido, inclusive com duas remoções para unidades de saúde externas.
O MPF aguarda que a emissora preste informações detalhadas sobre os questionamentos levantados pela Comissão de Mortos e Desaparecidos.
Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.



