Ator de 'Quem Ama Cuida' chora ao relatar agressão homofóbica no Rock in Rio
João Victor Gonçalves, o Mau Mau de 'Quem Ama Cuida', foi encurralado por streamer durante live e rebateu pedido de desculpas do agressor; entenda o caso

O ator João Victor Gonçalves, conhecido por interpretar Mau Mau em “Quem Ama Cuida”, da TV Globo, foi vítima de homofobia a caminho do Rock in Rio na noite dessa sexta-feira (4). O vídeo foi gravado pelo streamer GH, que estava acompanhado de amigos e depois se pronunciou nas redes sociais.
Nas imagens, GH persegue o ator enquanto seus amigos o chamam de "gostosa", "tomate", entre outras palavras ofensivas. Após o vídeo viralizar, o streamer recebeu uma onda de críticas e decidiu se manifestar, fazendo com que fosse ainda mais detonado por associar homofobia a entretenimento.
"Estava numa live aqui. Aí eu fico fazendo um monte de entretenimento no meio da ação, doideira com maluquice. Fui fazer um entretenimento com o cara que estava passando na rua, me dei mal. Sabe por quê? Cliparam, postaram lá no Twitter, tô recebendo um monte de hate. Se eu errei, eu peço desculpa, porque nós é ser humano e nós erramos", disparou.
Ator se pronuncia
Depois do posicionamento de GH, João Victor Gonçalves destacou que "homofobia não é entretenimento" e postou um vídeo, onde começou a chorar e prometeu não deixar que isso "passe em branco". Afinal, homofobia é crime. Veja relato na íntegra:
"Eu vou tentar gravar esse vídeo até o final... Bom, ontem eu sofri um ataque a caminho do Rock in Rio. Provavelmente vocês já devem ter visto aí na internet o vídeo que tá rolando. Na hora eu me senti muito acuado, estava sentindo ali uma violência, mas eu estava pensando muito na minha segurança. E eu queria acelerar o passo pra fugir daquela situação, não sabia o que podia acontecer, qual que era o próximo passo, né, que aqueles garotos poderiam dar ali comigo.
Então eu acelerei meu passo e estava com a cabeça focada em chegar no Rock in Rio, fazer a entrega pra marca que eu precisava fazer. Já era tarde, eram dez e pouco da noite a hora que eu cheguei, porque eu trabalhei o dia inteiro, saí da gravação e fui pro Rock in Rio pra fazer essa entrega e o estande já ia fechar, então eu estava nervoso com isso. Acabou que minha cabeça ficou concentrada naquilo.
Só quando cheguei em casa, depois de fazer essa entrega, que eu fui sentir o que eu tinha vivido e entender que tinha se tratado de uma agressão e de um ataque homofóbico. Eu estava dentro da grade do Rock in Rio. Quando a gente desce do carro de aplicativo, ele deixa a gente num lugar que ele não pode acessar mais, né, de carro, e ali você entra numa grade e vai seguindo um caminho onde eu achei que a gente estaria seguro, mas aparentemente a gente não está em lugar nenhum. Então isso também é um alerta ao Rock in Rio. Rock in Rio, por favor, vamos melhorar a segurança ali em volta.
Mas o que eu vim falar vai um pouco além. No fim da noite, o garoto que estava ali cabeceando a live e cabeceando aquele vídeo, enfim, postou um vídeo de pedido de desculpas dizendo que ele estava fazendo entretenimento, que a live dele estava muito parada, então ele estava ali fazendo uns entretenimentos.
Eu sou um garoto que tem 300 mil seguidores no Instagram, faço parte de uma das novelas mais legais, faço um personagem que fala sobre isso, eu tenho visibilidade. E eu passei por isso. E eu fico pensando, e me fere, quantas pessoas que não têm essa visibilidade, quantas mulheres, quantos homens gays, pessoas trans passam por isso e não têm essa visibilidade e ninguém fala sobre. E é tudo em prol do entretenimento. Esse garoto tem mais de 100 mil seguidores no Instagram. São 100 mil pessoas acompanhando esse tipo de entretenimento que viola, que machuca, que fere, que abusa.
Então eu queria primeiramente dizer que eu tô bem, que eu tenho uma rede de apoio muito boa que me ajuda muito. Mas que isso não vai ficar pra trás. Eu faço uma novela em que meu personagem fala sobre isso, fala sobre poder ser quem ele é sem sofrer nenhum preconceito, que seja dentro de casa, na rua. E é isso que a gente quer. A gente quer simplesmente poder andar na rua. Era exatamente o que eu estava fazendo, estava andando na rua.
Então eu vim aqui falar isso pra vocês: que não vai passar em branco. A gente não pode deixar que isso passe em branco. Eu queria mobilizar todo mundo que eu puder pra que a gente tente transformar um pouco esse país que a gente vive. É muito dolorido pra mim saber que eu sofri uma agressão como essa e me ver vulnerável pro Brasil inteiro. A gente não gosta de ficar vulnerável. Mas além disso tudo eu queria dizer que eu tô bem, queria agradecer todas as mensagens que eu tô recebendo, agradecer todo o cuidado, todo o carinho que eu tô recebendo e dizer que a gente merece respeito. A gente merece poder viver, só viver, só poder andar, poder chegar dentro de um festival, do maior festival do Brasil, sem ser agredido. É isso, gente."
Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.



