O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) recomendou que o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) suspenda a exigência da barra dinâmica para mulheres no Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso para soldado operacional. A recomendação foi feita após denúncias de candidatas que apontam possível desigualdade nas regras do edital.
Segundo o MPDFT, a medida considera dados de concursos anteriores. Nesses processos seletivos, a exigência do exercício teria provocado a reprovação de 89,5% das mulheres, enquanto menos de 2% dos homens foram eliminados pela mesma prova. Para o órgão, os números indicam um possível impacto desproporcional da exigência sobre as candidatas.
O Ministério Público também levou em conta relatos de participantes que apontam alterações recentes no edital, como a substituição da barra isométrica (estática) pela barra dinâmica para mulheres, além de mudanças em outros critérios do teste físico.
Candidatas criticam alterações no teste físico
Candidatas que disputam vagas no concurso afirmam que as mudanças tornaram o processo seletivo mais difícil para o público feminino. A candidata Júlia Cardoso, de 26 anos, afirmou em entrevista ao Correio Braziliense que as alterações exigiram uma nova preparação física das participantes.
Ela também relatou que o teste físico passou a ter caráter classificatório, e não apenas eliminatório, o que pode interferir diretamente na classificação final dos concorrentes.
Segundo a candidata, enquanto as exigências para mulheres foram ampliadas, com mudanças no exercício da barra e aumento de 400 metros na corrida, alguns índices masculinos teriam sido reduzidos. No edital anterior, por exemplo, o mínimo exigido na barra para homens era de oito repetições, enquanto no atual passou para seis.
Relatos de ataques nas redes sociais
Candidatas também relataram ter sido alvo de hostilidade após tornarem públicas as críticas ao edital. De acordo com Júlia Cardoso, comentários misóginos passaram a circular nas redes sociais questionando a presença de mulheres na carreira.
Outro ponto levantado pelas candidatas é que bombeiras que já fazem parte da corporação podem escolher entre a barra dinâmica e a barra isométrica em avaliações físicas periódicas. Elas questionam por que essa alternativa não é oferecida às participantes do concurso.
Corpo de Bombeiros tem prazo para responder
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal tem dez dias para responder formalmente à recomendação do Ministério Público.
Além da recomendação do MPDFT, o edital também é alvo de uma Ação Popular apresentada pelos deputados federais Érika Kokay e Marivaldo de Castro Pereira.
O juiz Carlos Fernando Fecchio dos Santos, da 1ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal, estabeleceu prazo de 72 horas, contado a partir de 5 de março, para que o comando do CBMDF se manifeste sobre as supostas irregularidades apontadas.