Novo currículo do ensino médio em SP reduz disciplinas tradicionais e foca em habilidades
Pesquisa da USP aponta que foco em competências pode limitar formação acadêmica e aprofundamento de conhecimentos

Uma pesquisa da USP analisou o novo currículo do ensino médio paulista, elaborado pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.
O estudo aponta que, entre 2007 e 2020, a carga horária de disciplinas tradicionais, como história, geografia, física, química e filosofia, foi reduzida, enquanto conteúdos voltados a competências ganharam espaço.
Esses novos componentes priorizam habilidades como empreendedorismo, uso de tecnologias, educação financeira, projeto de vida e inteligência emocional, alinhadas às demandas do mercado de trabalho.
O estudo destaca que esse modelo vai além de mudanças metodológicas e representa uma escolha política sobre o papel da escola na sociedade.
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A professora Cláudia Valentina Assumpção Galian, orientadora do estudo pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Escola, Currículo e Conhecimento (Ecco) da Faculdade de Educação da USP, explica ao Jornal da USP que os referenciais teóricos usados no trabalho alertam para a necessidade de postura crítica dos professores frente ao conteúdo curricular.
Foram analisados o Currículo Oficial do Estado de São Paulo (Coesp/2008) e o Currículo Paulista (CP/2020), usados como base para planos de aula, apostilas e avaliações nas escolas públicas.
Segundo o pesquisador Kassiano César de Souza Baptista, autor da pesquisa e professor da rede estadual paulista, o foco em competências dificulta o aprofundamento de conteúdos que não têm aplicação imediata, gerando uma formação limitada e voltada à adaptação dos estudantes ao mercado de trabalho.
Baptista alerta que isso pode aumentar desigualdades, pois alunos de escolas particulares têm mais acesso a conteúdos especializados, enquanto estudantes da rede pública recebem um currículo mais voltado a habilidades genéricas.
O novo currículo também compromete práticas pedagógicas que desenvolvem conhecimentos essenciais para o ensino superior, vestibulares e o Enem. Em vez disso, o ensino é fragmentado em habilidades e competências, com foco em resolução de problemas práticos.
O pesquisador destaca ainda que esse modelo pode desmotivar professores, que passam a se sentir mais como “coachs” do que educadores, afetando sua identidade profissional.
Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.



