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'Gag' e 'I'm gagging': gírias viram questão em prova da Unicamp

Questão de inglês do vestibular da Unicamp aborda gírias 'gag' e 'I'm gagging', gerando debate sobre a disseminação de termos da comunidade LGBTQIAPN+ e sua apropriação.

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Unicamp • Unicamp | Divulgação

Uma questão de inglês no vestibular da Unicamp, realizado neste domingo (18), chamou a atenção dos participantes pelo uso das gírias "gag" e "I'm gagging". As expressões, populares nas redes sociais como forma de demonstrar surpresa ou espanto, têm origem na cultura LGBTQIAPN+ e na cena ballroom.

No sentido literal, "I'm gagging" significa "eu estou engasgando". Contudo, o uso nas redes sociais e na linguagem informal difere, sendo equivalente a "estou chocado" ou "estou surpreso". No Brasil, a expressão foi adaptada à fala coloquial e é comum em frases como "estou gag", "fiquei gag" ou "gag de la gag".

"Eu gag na prova da Unicamp vendo eles falarem sobre o termo 'gag'", brincou uma internauta. Outra pessoa comentou: "A Unicamp dando spoiler na parte de inglês, que eu ia ficar GAG com as questões de matemática".

O uso da expressão ganhou popularidade por meio da comunidade LGBTQIAPN+, especialmente por meio da cultura "ballroom", um movimento político e artístico criado em Nova York, nos Estados Unidos, entre as décadas de 70 e 80. Outras gírias mencionadas no texto da questão, que também vieram da cultura ballroom, foram "slay", que significa "arrasou", e "serve", que indica que uma pessoa "entregou tudo" em um visual ou performance.

"Estamos vendo um aumento no uso de palavras e frases como 'gag' e 'I'm gagged' [estou passado/a, chocado/a, sem palavras], e isso mostra como a linguagem se espalha nas redes sociais: através de garotas brancas e héteros adotando o que pessoas gays e negras estão dizendo. Esse tipo de dinâmica de conteúdo e influência é constantemente explorada por influenciadores digitais que faturam alto com vídeos que repercutem em diversas comunidades. Foi isso que aconteceu com as palavras 'slay', 'serve' e 'mother'. Elas vieram da cena ballroom no final dos anos 1980, viralizaram no TikTok e depois, todo mundo começou a usar. O apelo original dessas palavras era o fato de sinalizarem pertencimento a um grupo restrito (in-group status), mas elas perderam essa exclusividade. É também por isso que a palavra 'gagged' está em alta agora: ela sinaliza empolgação queer (...). E ela também vai acabar sendo apropriada, porque estamos em um ciclo sem fim no qual grupos marginalizados criam gírias como uma ferramenta de poder para construir comunidade e uma identidade compartilhada, e depois outras pessoas se apropriam dessas gírias para se aproveitar do seu apelo descolado."

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