Estudo da USP associa reforma do ensino médio paulista ao aumento da informalidade no trabalho
Pesquisa mostra comoa reforma do Ensino Médio substituiu disciplinas tradicionais por conteúdos corporativos

Uma pesquisa de mestrado da Faculdade de Educação da USP, conduzida pelo pedagogo Felipe Alencar, aponta que o programa Inova Educação, lançado em 2019 pelo governo paulista para implementar o Novo Ensino Médio na rede estadual,substituiu disciplinas como Sociologia, Ciências e Literatura por conteúdos voltados ao empreendedorismo e ao mercado informal de trabalho.
O estudo, defendido em 2023, foi transformado no livro "Escolas que resistem: a educação pública contra o autoritarismo empresarial", lançado em abril de 2026.
Segundo o pesquisador, o programa introduziu disciplinas como Projeto de Vida e Eletivas, algumas com conteúdo patrocinado por empresas como o iFood.
Na época, o secretário de Educação Rossieli Soares da Silva defendia que o ensino médio deveria preparar o aluno para o mercado de trabalho, e não para o vestibular.
Dados do IBGE de abril de 2026 mostram que pelo menos 40% dos jovens brasileiros estão na informalidade, índice que sobe para 60% nas regiões Norte e Nordeste, enquanto o rendimento médio do trabalhador segue estagnado em R$ 3.732,00. Para Alencar, esse cenário não é coincidência, mas o pano de fundo que justificou a reformulação curricular.
A pesquisa também documentou um apagão de aulas em 2022, quando cerca de 20 mil aulas ficaram sem professor no primeiro semestre, número que dobrou no segundo.
Diante da pressão de estudantes e professores, o governo paulista revisou as diretrizes: a Deliberação do CEE nº 236/2025 e a Resolução da Seduc nº 156/2025 restabeleceram a obrigatoriedade de disciplinas como Sociologia, Filosofia, Literatura e Ciências na grade curricular regular, embora os componentes do Inova Educação tenham sido mantidos.
Lorena Vieira é estagiária do Portal Itatiaia e estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Com experiências diversas, já trabalhou como repórter, produtora e apresentadora de coluna semanal no programa Agenda, da Rede Minas. Além de outras experiências como social media e comunicação de projetos culturais.



