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Fã que ‘ganhou’ salto de Taylor Swift usa fama para divulgar campanha de doações para prima com câncer

Designer mineiro, Felipe Conrado aproveitou a movimentação da ‘The Eras Tour’ para promover vaquinha do tratamento da prima, Ângela

Fã mineiro conseguiu ficar com salto de Taylor Swift

Fã mineiro conseguiu ficar com salto de Taylor Swift

Reprodução | Redes sociais

O designer mineiro Felipe Conrado, de 32 anos, se preparou para ficar o mais perto de Taylor Swift durante a terceira apresentação da “The Eras Tour” no Rio de Janeiro, mas não imaginava que voltaria para casa com um “presente” da cantora. Entre cerca de 60 mil fãs que estiveram no Engenhão, ele deixou o estádio com parte do figurino da cantora, algo que não estava no roteiro da apresentação milimetricamente ensaiada de Swift.

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Felipe escolheu uma das passarelas mais próximas ao palco principal, local escolhido pela cantora para cumprimentar o público no discurso de abertura. “Quando ela chegou, ela fechou a cara e agachou no palco. Achei que era algum problema, mas ela levantou com um negócio vermelho na mão. Foi muito rápido, questão de segundos e ela jogou para o público”, relembrou à Itatiaia.

Para conseguir pegar o objeto, o designer se aproveitou da própria altura e ainda teve a sorte de segurar uma parte mais firme do souvenir inesperado. O “negócio vermelho” descrito pelo jovem era nada mais, nada menos, que a sola e o salto de uma das botas da marca Christian Louboutin utilizadas por Swift no ato inicial da turnê.

A bota foi criada exclusivamente para a turnê e, por isso, não tem valor definido. Para Felipe, a peça que veio e quase foi “entregue” por Swift também era de preço incalculável, até que o jovem mineiro teve a ideia de utilizá-la para uma boa ação: uma campanha de doações para custear o tratamento de câncer da prima, Ângela Conrado, que descobriu um melanoma no início deste ano.

Família já realizava campanha de arrecadação

Ângela Beatriz Conrado, de 36 anos, descobriu um melanoma no início de 2023 após remover uma pequena pinta no braço direito. Após passar por cirurgias, ela ainda precisava dar continuidade no tratamento com 12 sessões de imunoterapia, para que a célula cancerosa não se espalhe por outros órgãos.

A fase do tratamento utiliza o medicamento Nivolumabe, que possui uma taxa alta de sucesso no bloqueio da doença. O tratamento, no entanto, não é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estágio da doença de Ângela, que irá precisar entrar com uma ação judicial para conseguir o medicamento de forma gratuita.

Conforme divulgado na campanha criada por ela, ainda seria necessário seguir com as sessões durante o processo judicial. Por isso, a vaquinha foi criada no intuito de auxiliar nos cursos mensais do tratamento, que sai por cerca de R$9,2 mil - valor que cobre somente a medicação necessária para a imunoterapia. Com a atenção recebida após o “presente” de Swift, Felipe resolveu redirecionar a fama para auxiliar a prima.

“Eu imaginei que teria uma repercussão, mas dentro da bolha swiftie - dos fãs de Taylor Swift. No dia seguinte, quando vi a proporção, surgiu a ideia de fazer a divulgação. Nós já estávamos fazendo uma mobilização ativa para arrecadar fundos. Estava indo bem, mas longe do objetivo final. A ideia sempre foi de mobilizar mais pessoas para captar verba para o tratamento. Primeiro entre meus amigos, swifties e, agora, na sociedade geral”, contou.

Swift deu ‘um salto’ na arrecadação

O movimento incluiu algumas mensagens de ódio, que questionavam as intenções de Felipe e afirmavam que ele sequer deveria ter gastado dinheiro para realizar o sonho de ver Taylor Swift se queria ajudar a prima, mas o lado de pessoas que queriam participar da boa ação acabou tomando força. “Atigiu uma proporção que me deixou muito emocionado. Os swifties internacionais fizeram a campanha ‘keep the heel’ (fique com o salto, em português). Com envio em dólar, euro, estamos arrecadando em outra proporção.”

Atualmente, mais de 366 pessoas já contribuíram com a vaquinha para auxiliar no tratamento de Ângela. A meta da campanha é de arrecadar R$ 27,6 mil e, até o momento, mais de R$ 22 mil já foram doados. Uma rifa solidária com uma camisa do Atlético autografada pelo ícone do clube, Reinaldo, e uma camisa do América, também foi criada. O valor do bilhete é de R$ 1,50, enquanto doações da campanha podem ser feitas a partir de R$ 20.

O mineiro explicou que a atenção para a vaquinha deu uma injeção de confiança para a família Conrado e, em especial, para Ângela. “Ela está muito feliz. Ela é bem católica, acredita que tudo acontece por um motivo, então está super grata e feliz com a atitude. A questão do salto, da mídia, das redes sociais, deu luz para a vaquinha. Alcançamos novos territórios. A família toda está muito feliz com o desenrolar da história, muito confiante. É uma corrente de energias positivas, de bondade, de vontade de fazer o bem”.

Felipe concluiu a conversa com a Itatiaia relatando que, agora, a espera é pela cura e recuperação da prima, com quem já faz planos para uma próxima vinda de Swift ao país. “A gente espera que, no final disso tudo, tenha o alívio da cura. Quem sabe, Taylor voltando para o Brasil... eu faço questão de ir ao show com a Bia para comemorar juntos essa história. Graças a uma atitude não pensada da Taylor, algo inusitado, ela promoveu uma mudança na história da nossa vida”, definiu.

Maria Clara Lacerda é jornalista formada pela PUC Minas e apaixonada por contar histórias. Na Rádio de Minas desde 2021, é repórter de entretenimento, com foco em cultura pop e gastronomia.


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