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Relembre grandes sucessos de Caetano Veloso, que completa 80 anos 

Músico baiano liderou a Tropicália e se tornou um dos maiores nomes da música brasileira, ultrapassando várias barreiras 

Caetano Veloso é autor de clássicos da canção brasileira, como 'Oração ao Tempo' e 'Coração Vagabundo'

Caetano Emanoel Viana Teles Veloso nasceu no dia 7 de agosto de 1942, em Santo Amaro, na Bahia. Músico, compositor e escritor, Caetano Veloso é um dos maiores nomes da música brasileira. Irmão de Maria Bethânia, ele foi um dos grandes responsáveis pela Tropicália, ao lado de Gilberto Gil e Gal Costa, movimento que abalou as estruturas da música brasileira ao propor uma mistura entre os ritmos nacionais e estrangeiros, recuperando o passado e abrindo as portas para o novo. Entre os grandes sucessos de Caetano Veloso estão músicas como “Coração Vagabundo”, “Alegria, Alegria”, “Beleza Pura”, “Atrás do Trio Elétrico”, “Você É Linda”, “Chuva, Suor e Cerveja”, “Não Enche”, “O Leãozinho”, “Qualquer Coisa”, “Gente”, “Oração ao Tempo” e muitas outras.

“Coração Vagabundo” (bossa nova, 1967) – Caetano Veloso

Antes de aderir por completo à Tropicália e instaurar o movimento definitivamente no cenário da música popular brasileira, a referência seminal de Caetano Veloso era João Gilberto. Por isso não é de se espantar que no álbum “Domingo”, lançado em 1967 ao lado de Gal Costa, que perto da época ainda assinava Maria da Graça, a influência estética do propagador mais incensado da bossa nova se faça tão presente.

“Coração vagabundo” é um dos melhores exemplos, com sua melodia refinada, simples, seu violão rítmico e a voz macia, suave, quase imperceptível, não fosse pela poesia e sensibilidade que emana com tamanha força dos versos livres de derramamento e concentrados em sua elegância. Caetano narra, assim, mais um caso de amor desfeito, porém novo.

“Atrás do Trio Elétrico” (frevo, 1969) – Caetano Veloso

Em 1969, enquanto no Carnaval de Salvador o povo cantava e dançava “Atrás do Trio Elétrico”, seu autor vivia no Rio a expectativa de ser libertado da prisão imposta pela ditadura. A libertação aconteceu somente na quarta-feira de cinzas, só que de forma parcial, pois Caetano Veloso e Gilberto Gil passaram a um regime de confinamento na Bahia, seguindo-se o exílio em Londres.

Gravada inicialmente num compacto em 1968, com Caetano Veloso acompanhado por um pequeno grupo dirigido por Rogério Duprat, esta marcha-frevo, mais tarde alcunhada de frevo baiano, homenageava o Trio Elétrico de Dodô e Osmar, com a frase inicial que se tornou praticamente um dito popular: “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu…”.

“Chuva, Suor e Cerveja” (frevo, 1972) – Caetano Veloso

Com seu projeto tropicalista, Caetano Veloso revisitou e explorou os gêneros mais representativos e típicos da cultura nacional brasileira. Entre eles não poderia estar de fora o frevo. Composta em 1972, “Chuva, Suor e Cerveja” é um exemplo dos mais bem acabados da capacidade do compositor em unir instâncias, aparentemente distantes, como a modernidade e a tradição, e o que propõe, na letra desta canção, é a irrestrita liberdade de ser e estar.

“Chuva, Suor e Cerveja” é uma música que brada contra toda e qualquer caretice, qualquer tipo de censura, costumes ou moralismo, e conclama para o prazer, à diversão, representados pelos itens líquidos que compõe este cenário, onde não poderia ficar de fora a água que se bebe, que se exala e que se recebe. A chuva aparece como graça, memória, folia e vida. “Acho que a chuva ajuda a gente a se ver…”.

“Qualquer Coisa” (tropicália, 1975) – Caetano Veloso

De maneira bastante enviesada, como era habitual na tropicália, movimento capitaneado na música por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Os Mutantes, dentre outros, o baiano de Santo Amaro, irmão de Maria Bethânia, presta uma homenagem aos povos árabes que deixaram, em terras brasileiras, ditados que se acoplaram à linguagem, e se tornaram, pela própria natureza, muito populares.

Este recurso é facilmente notado quando Caetano mistura e reinventa frases, partindo do pressuposto do próprio movimento onde sua música está inserida, a tal antropofagia, a formação mestiça de toda a nação brasileira. “Esse papo já tá qualquer coisa, você já tá pra lá de Marrakesh, mexe qualquer coisa dentro doida, já qualquer coisa doida dentro mexe…”.

“Um Índio” (tropicália, 1976) – Caetano Veloso

Para o tropicalista Caetano Veloso a raiz brasileira e, sobretudo, nordestina, era base de toda a sua experiência artística. Portanto são fortes os traços de mestiçagem negra e indígena em suas composições. A fim de homenageá-las, Caetano compôs, em 1976, o hino “Um Índio”, que mistura o povo nativo do Brasil com imagens interplanetárias. Nesta leitura pop os filhos de Gandhi convivem com heróis do cinema norte-americano como Bruce Lee. No entanto, o que salta aos olhos e emerge desta peça do mestre baiano é a textura embebida em folhagens e gestos úmidos. Lançada pelos Doces Bárbaros, grupo formado por Caetano, Gil, Bethânia e Gal.

“Gente” (tropicália, 1977) – Caetano Veloso

Ainda sob o ritmo e a respiração da Tropicália, Caetano Veloso compôs, em 1977, para seu álbum “Bicho”, uma canção mais próxima ao modelo clássico brasileiro. “Gente”, com seu estilo charmoso e dançante, conclama à solidariedade, faz uma ode à beleza humana, e presta homenagem a pessoas admiradas pelo autor, citadas nominalmente: “Marina, Bethânia, Dolores, Renata, Leilinha (…); Rodrigo, Roberto, Moreno, Francisco, Gilberto, João”.

“Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”, determina Caetano, em discurso que não poderia estar mais próximo ao de Betinho. Em outros versos, ele volta ao tema: “Gente quer comer, gente quer ser feliz, gente quer respirar ar pelo nariz”. “Gente, espelho da vida, doce mistério”, finaliza Veloso com sabedoria.

“Mãe” (MPB, 1978) – Caetano Veloso

Dez anos após o lançamento de “Mamãe Coragem”, e novamente pela boca de Gal Costa, o compositor Caetano Veloso, desta feita sozinho, demonstrava a saudade do lar e da figura materna, em que os filhos invariavelmente encontram ou transferem a imagem e expectativa do conforto, aconchego e proteção.

Exilado em Londres pela ditadura militar imposta no Brasil a partir de 1964, o compositor experimentava e exprimia a solidão por palavras soltas que quando condensadas constroem um mosaico de desejos e intenções.

A imagem de que o filho, mesmo homem feito, permanece criança no coração da mãe, também emerge desta poesia. A música foi regravada pelo próprio Caetano Veloso, o cantor Djavan e, mais tarde, a cantora Cida Moreira, no álbum “A Dama Indigna”. Dona Canô, mãe de Caetano e Maria Bethânia, morreu em 2012, aos 105 anos.

“Beleza Pura” (axé, 1979) – Caetano Veloso

Caetano Veloso lançou “Beleza Pura” em 1979, no LP “Cinema Transcendental” e, segundo ele, a música é “uma saudação à tomada da cidade de Salvador pelos pretos”, que passaram a lutar por seus direitos influenciados pelos movimentos negros nos Estados Unidos e na África do Sul. O verso “Moço lindo do Badauê” é dedicado ao capoeirista Mestre Moa do Katendê, assassinado a facadas em 2018 após uma discussão política. O espírito da música “Beleza Pura” é de liberdade e libertação, com clima hippie...

“Você É Linda” (balada, 1983) – Caetano Veloso

A primeira palavra dita por Caetano Veloso foi “quem”. Ao menos quando se toma como base sua carreira fonográfica iniciada em 1965, com a edição do compacto simples que traz “Cavaleiro” (da onde se extrai a expressão) em um lado, e “Samba em Paz”, no outro. Já em 1983, Caetano Veloso compôs a música “Você É Linda” para Cristina, uma moça que morava em frente à sua casa na Bahia, do outro lado da rua, no bairro de Ondina. Caetano se apaixonou por Cristina e o resultado foram os versos românticos de “Você É Linda”, música lançada em 1983, no álbum “Uns”.

“Podres Poderes” (rock, 1984) – Caetano Veloso

Embora aposte no rock que invadia a cena nacional desde o estouro da Blitz em 1982, Caetano Veloso conserva em suas composições uma assinatura muito peculiar, sendo pouco efetivo o rótulo do ritmo, e mais abrangente o do movimento do qual foi um dos líderes musicais, a tropicália. Com dialética e poesia que buscam emoldurar os acontecimentos políticos do país, Caetano adota um discurso incisivo, sem abrir mão dos jogos de palavras e da maleabilidade de sentidos que sempre o encantaram.

“Podres Poderes” abre fogo contra o cenário atual de 1984, sem deixar de se reportar ao passado que interfere neste futuro, para se ter a consciência de que o mesmo acontecerá ao presente. “Será que nunca faremos senão confirmar/A incompetência da América católica/Que sempre precisará de ridículos tiranos?”. E avalia uma saída nas artes de Hermeto Pascoal e Tom Jobim.

“Eu Sou Neguinha?” (rap, 1987) – Caetano Veloso

Sempre provocador e inventivo, desde os tempos da “Tropicália”, Caetano Veloso, que nunca para quieto, compôs, através do rap, mais um manifesto contra as desigualdades sociais no Brasil e no mundo. Lançada em 1987 a música “Eu sou neguinha?” também provoca no sentido moralista, ao ter Caetano interpretando uma voz feminina.

Feminina, negra, pobre, excluída. “Bunda de mulata, muque de peão”, afirma num dos versos mais contundentes. Experimental em sua forma e conteúdo, a música busca esgarçar os limites que se impõe nas sociedades arraigadas em preconceitos. É uma ode ao ser humano, à vida e ao respeito inalienável a seu corpo e alma. Foi regravada por Cássia Eller.

“Sozinho” (balada, 1997) – Peninha

Caetano Veloso escutou “Sozinho” pelo rádio, na voz de Sandra de Sá, e decidiu colocar a música em seu próximo show, especialmente depois de descobrir que o compositor era Peninha, de quem ele já havia gravado “Sonhos”, com enorme sucesso, em 1982. Por pouco Caetano não desistiu de gravar “Sozinho” depois de ouvir a versão de Tim Maia, que ele definiu como “arrasadora”. Por sorte do público, Caetano gravou a música em 1999, no álbum “Prenda Minha”, e ela entrou para a novela “Suave Veneno”. Antes, já havia rendido a Peninha o Prêmio Sharp de melhor canção do ano de 1997.

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