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'Se ele ficar solto, vai matar mais gente', afirma mãe de homem morto por coronel que teve surto em BH

Em 2019, Flávio Donato da Silva matou Aroldo Rodrigues Simões a tiros; ele foi considerado inimputável, mas pôde continuar tratamento psiquiátrico em casa

Aroldo tinha começado a trabalhar como motorista de aplicativo cerca de uma semana antes de ser morto

Familiares do motorista de aplicativo Aroldo Rodrigues Simões, morto a tiros pelo coronel reformado da Polícia Militar, Flávio Donato da Silva, esboçaram reações diferentes após o ex- policial ter um surto e aparecer completamente nu próximo ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) em Belo Horizonte nesta terça-feira (14).

A mãe de vítima, Maria Aparecida, contou à Itatiaia que não se surpreendeu com o ocorrido, e manteve o pedido por justiça pelo filho, assassinado aos 34 anos, em fevereiro de 2019.

"Se ele ficar solto, vai matar mais gente. Meu filho era maravilhoso, e teve coragem de atirar nas costas dele quando estava trabalhando. O que você pode esperar de um cara desses? Eu tenho medo pela minha família, de ele querer vir matar eu e meu marido. No dia que ele matou meu filho, se tivesse mais dez pessoas, ele matava todas", desabafou.

A mulher não se conforma com a perda do filho, que "fazia tudo", e trabalhava na função há cerca de uma semana. Após a notícia da morte, ela relembrou: "Meu mundo acabou".

O pai de Aroldo, José Rodrigues, afirmou que o coronel não aparenta qualquer problema psiquiátrico. Quando se encontraram no julgamento, ele se negou a olhar para o suspeito, e não sabe explicar como ele desenvolveu tal comportamento.

"Se você ver ele na rua, não fala que ele foi policial e nem suspeita de nada. Educado, tentou conversar comigo me chamando de senhor, chegou a falar que estava sentindo a nossa dor, mas nem olhei para a cara dele. É uma pessoa fina, acredito que seja alguma droga, alguma coisa que faça ele virar isso de uma hora para outra", pontuou.

Aroldo e Flávio não se conheciam, e o crime teria acontecido após o ex-militar ter um surto depois de usar cocaína. Em 2020, ele foi considerado inimputável - a Justiça entendeu que ele estava fora de si e não tinha consciência dos seus atos.

Ficou estabelecido que Flávio deveria ficar privado de liberdade e internado para receber tratamento, mas no ano passado, ele foi liberado para dar sequência ao processo em casa. O coronel deveria fazer o tratamento na rede pública por um ano, com entrega de relatório, além de comunicar mudanças de endereços e não cometer atos criminosos.

Ainda não se sabe se a ocorrência desta terça vai interferir na medida de segurança do homem.

(Com informações de Felipe Quintella)

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