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MP pede ao STF prisão de médico condenado por morte e retirada de órgãos de criança

Álvaro Ianhez foi condenado a 21 anos de prisão pela Justiça por envolvimento no Caso Pavesi, que escancarou a 'máfia dos transplantes'

Médico Álvaro Ianhez foi condenado por participar da morte e retirada de órgãos de menino de 10 anos

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entrou com uma ação para que o médico Álvaro Ianhez, condenado a 21 anos e oito meses de prisão por ter participado da morte e retirada de órgãos do menino Paulo Pavesi, em 2000, seja preso imediamente. 

Mesmo condenado pelo Tribunal do Júri em abril deste ano, Ianhez foi beneficiado por uma decisão liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que afastou o cumprimento da pena

Na ação, o MPMG pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) que casse a liminar do STJ, sob argumento de que o fato de o médico não ter sido preso após duas décadas do crime e com uma condenadação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais é uma afronta à memória da vítima e a dignidade de seus familiares e "coloca em dúvida a credibilidade do Sistema Nacional de Transplantes". 

Em uma primeira manifestação, o presidente do STF, Luiz Fux, negou a alegação do MP e disse que a soltura de Ianhez não traz grave risco à ordem pública. 

Caso Pavesi

O caso aconteceu em Poços de Caldas, no Sul de Minas, em 2000. À época, Paulo estava em um brinquedo e caiu de um a altura de 10 metros. Levado ao hospital, ele teve o exame que indicou a morte encefálica forjado para que tivesse os órgãos removidos. Segundo a denúncia feita à época, o menino ainda estava vivo quando os órgãos foram retirados.  

Segundo o Tribunal de Justiça do Estado (TJMG), Álvaro Ianhez, após contato de outro acusado, José Luiz Gomes da Silva, passou a auxiliá-lo nos procedimentos em relação à vítima, o que é proibido por lei. 

Durante as 24 horas em que ficou no hospital até a declaração da morte cerebral, o menino recebeu medicamentos diversos, foi submetido a longa anestesia geral e recebeu doses excessivas de Dormonid, um forte sedativo.

A denúncia aponta ainda que o garoto não recebeu atendimento por toda a noite do dia 20 e manhã do dia 21 de abril de 2000, quando apresentou grave hipotensão sistólica. Os médicos acusados sabiam que ele era um potencial doador de órgãos, e trataram do assunto antes da morte ser confirmada.

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