'Tem óleo no Amapá': Petrobras confirma descoberta na Margem Equatorial
Magda Chambriard celebra resultado, mas diz que volume e escala comercial ainda são incertos

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta segunda-feira (17) que a estatal encontrou óleo no litoral do Amapá durante a perfuração do poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas. A declaração foi dada durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao estado, onde a executiva apresentou a estrutura de emergência montada para apoiar as operações na Margem Equatorial.
Segundo Magda, os estudos realizados até agora reforçam o otimismo da Petrobras em relação ao potencial petrolífero das águas profundas do Amapá. Ela, no entanto, ressaltou que ainda não é possível determinar a quantidade encontrada nem se a ocorrência terá escala comercial.
A Petrobras anunciou na sexta-feira (14) a identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. O poço está em uma área de águas ultraprofundas, com lâmina d’água de 2.886 metros. A presença de hidrocarbonetos foi identificada por meio de perfis elétricos e amostras de rocha.
A perfuração ainda está em andamento, e a estatal precisa realizar novas avaliações para determinar as características e o potencial da ocorrência. Especialistas também destacam que a confirmação de hidrocarbonetos é relevante do ponto de vista geológico, mas ainda não representa a comprovação de uma reserva comercial de petróleo.
Durante a visita, Magda também destacou a estrutura criada pela Petrobras para responder a eventuais incidentes durante as operações. Segundo ela, a companhia montou o que classificou como o maior plano de emergência individual já utilizado no mundo para uma perfuração desse tipo.
A estrutura inclui equipamentos e equipes preparados para situações de emergência, além de recursos destinados ao resgate de animais e à proteção ambiental. A Petrobras também mantém uma estrutura semelhante em Belém e dispõe de embarcações para transporte de fauna em caso de necessidade.
A presidente afirmou que os equipamentos são uma medida preventiva e que a expectativa da companhia é não precisar utilizá-los.
A Petrobras sustenta que as operações seguem as exigências estabelecidas no processo de licenciamento ambiental. A perfuração do poço Morpho foi autorizada pelo Ibama em outubro de 2025, depois de um processo que incluiu exigências relacionadas à segurança operacional e à proteção ambiental.
A região, entretanto, é ambientalmente sensível e a exploração na Margem Equatorial continua sendo alvo de questionamentos de ambientalistas. A Petrobras afirma que mantém protocolos de monitoramento e resposta a emergências durante as operações.
A identificação de hidrocarbonetos no Morpho fortaleceu a estratégia da Petrobras de explorar novas fronteiras para reposição de reservas. A empresa planeja perfurar outros poços na região, mas novas operações dependem das autorizações ambientais necessárias. A estatal prevê investimentos de cerca de R$ 3,3 bilhões na perfuração de quatro poços na Bacia da Foz do Amazonas.
A própria Magda Chambriard estima que, caso as próximas etapas confirmem a viabilidade da exploração, o Amapá poderia começar a produzir petróleo em águas ultraprofundas dentro de seis a sete anos.
Por enquanto, porém, a Petrobras trata o resultado do poço Morpho como uma descoberta que ainda precisa ser dimensionada. O tamanho da ocorrência, sua qualidade e a possibilidade de produção comercial dependerão dos próximos estudos e testes.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



