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Presidente do Fed sugere corte de juros nos EUA e mercado reage

Declarações acontecem em meio à pressão do presidente Donald Trump para a redução das taxas de juros

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Presidente do Federal Reserve, Powell anunciou programa para supervisionar atividades bancárias que envolvam criptoativos, blockchain e parcerias tecnológicas
Presidente do Federal Reserve, Powell anunciou programa para supervisionar atividades bancárias que envolvam criptoativos, blockchain e parcerias tecnológicas • Divulgação/Flickr/Federal Reserve

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) Jerome Powell, não cravou a retomada do corte de juros nos Estados Unidos, mas seu discurso nesta sexta-feira, 22, no simpósio de Jackson Hole foi lido em Wall Street como uma porta aberta para a flexibilização monetária. Tanto que bancos como o Santander, Deutsche Bank e Barclays revisaram os seus cenários para uma redução nas taxas em setembro, e não apenas em dezembro como previam anteriormente.

As falas de Powell impulsionaram os índices acionários e deram fôlego ao real frente ao dólar. Em Nova York, o Dow Jones terminou o dia com alta de 1,89%.

O chefe do BC americano dedicou parte do discurso à deterioração do mercado de trabalho, tema central do evento deste ano. Segundo ele, os riscos de queda no emprego estão aumentando. "E, se esses riscos se materializarem, podem fazê-lo rapidamente na forma de demissões em massa e aumento do desemprego."

Previsão

As chances de o Fed cortar os juros em setembro saltaram a cerca de 90% após as falas de Powell, conforme levantamento da plataforma americana CME Group. "Agora, é essencialmente 100% (as chances de um corte em setembro) após o discurso de Powell", disse o presidente da Queen's College e conselheiro econômico-chefe da Allianz, Mohamed El-Erian.

Para o economista-chefe do Santander nos EUA, Stephen Stanley, Powell fez uma reviravolta de quase 180 graus em seu discurso, influenciado pelo fraco relatório sobre o mercado de trabalho nos EUA em julho. "Para meu ouvido experiente, a fala soa como um sinal bastante definitivo de que Powell pretende pressionar por um afrouxamento na reunião de setembro", disse Stanley, que agora vê o Fed cortando os juros em 0,25 ponto porcentual nas reuniões de setembro e de dezembro.

Outros dados que serão monitorados com atenção por Wall Street antes da reunião de setembro são a próxima leitura do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) de julho, que será conhecida na próxima semana e é a medida de inflação preferida do Fed, e o índice de preços ao consumidor (CPI) de agosto.

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