Preço de suínos cai 37,65% do valor desde janeiro, mas redução não chega ao consumidor
Apesar da redução nos preços desde o início do ano, o valor de cortes suínos permanecem estáveis ou até subiram no varejo de Belo Horizonte e região

O preço pago ao produtor pelo suíno vem caindo, mas a redução ainda não chegou, na mesma proporção, ao consumidor. Segundo levantamento do site Mercado Mineiro, o valor de referência do quilo do suíno caiu de R$6 para R$5,30 entre 9 de julho e 6 de agosto. A redução foi de 11,67% em apenas um mês.
Desde janeiro, quando o quilo era cotado a R$8,50, a queda acumulada chega a 37,65%. Apesar disso, os preços médios de diversos cortes suínos no varejo permaneceram praticamente estáveis ou até registraram alta entre julho e agosto.
A pesquisa, realizada entre os dias 3 e 5 de agosto na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mostra que a costelinha suína, por exemplo, subiu 1,96%, passando de R$ 9,13 para R$29,70 o quilo. A copa-lombo teve alta de 1,83%, de R$22,95 para R$23,37.
Por outro lado, alguns cortes ficaram mais baratos. A orelha suína teve queda de 3,85%, passando de R$11,18 para R$ 10,75. O pé suíno recuou 1,30%, de R$12,40 para R$12,24. Já o toucinho comum caiu 3,62%.
Para Feliciano Abreu, do Mercado Mineiro, a redução no preço recebido pelo produtor ainda não está sendo repassada de forma proporcional ao consumidor. Segundo ele, uma eventual queda no varejo poderia estimular o consumo da carne suína e aumentar a competitividade do produto diante das carnes bovina e de frango.
Diferença de preços
Além da distância entre o preço pago ao produtor e o valor encontrado no varejo, a pesquisa mostra diferenças expressivas entre os próprios estabelecimentos.
O pé suíno, por exemplo, foi encontrado entre R$5,99 e R$19,99, uma diferença de 233,72%. A copa-lombo variou de R$13,99 a R$38,99, diferença de 178,70%. Já a costelinha apresentou preços entre R$19,98 e R$47,90, uma variação de 139,74%.
O levantamento do Mercado Mineiro aponta que, apesar da relativa estabilidade das médias, pesquisar os preços antes da compra continua sendo uma das principais formas de economizar. Em alguns casos, o consumidor pode pagar mais que o dobro pelo mesmo corte.
Setor aponta desafios para recuperar rentabilidade

A queda de 37,65% no preço pago ao produtor de suínos desde janeiro acende um alerta para a cadeia produtiva em Minas Gerais. Para o presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG), Donizetti Ferreira Couto, é preciso analisar o cenário considerando todos os elos envolvidos até que a carne chegue ao consumidor. "É uma cadeia de muitos segmentos. O produtor do suíno é o elo inicial dessa cadeia. Depois vem o frigorífico, aí vêm outras etapas que podem ser atacadistas, indústrias de transformação e ainda atacadistas e o varejo final."
Segundo Donizetti a diferença entre o preço recebido pelo produtor e o valor encontrado nas gôndolas está relacionada à própria dinâmica da cadeia produtiva. "Muitas vezes essa diferença de preço entre o produto inicial, que seria o suíno vivo, e até lá na ponta, que é a carne, já preparada para o consumidor, não reage exatamente na mesma proporção. Ou, se reage, existe um lapso de tempo para isso acontecer."
O presidente da ASEMG avalia que levantamentos como o realizado pelo Mercado Mineiro ajudam a mostrar essa diferença ao consumidor. "É muito importante essa pesquisa do Mercado Mineiro, demonstrando para nós essa diferenciação. E é importante também que se divulgue, porque o consumidor é que vai dar a palavra final."
Donizetti destaca ainda que o aumento do consumo é um dos caminhos para fortalecer o setor e contribuir para a recuperação do mercado. "A Associação Brasileira de Criadores Suínos tem feito uma campanha muito boa de marketing, que se chama 'Suíno, bom de prato e bom de preço'. Mas a palavra final é do consumidor. À medida que o consumidor desejar mais a carne suína, obviamente que os supermercados vão estar essa carne suína."
A expectativa é que o comportamento do consumo, a oferta de animais e os preços praticados nos diferentes elos da cadeia ajudem a definir os próximos movimentos do mercado de carne suína em Minas Gerais.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



