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Itatiaia

BH Airport se consolida como hub estratégico para o desenvolvimento de MG

Daniel Miranda, presidente do BH Airport, falou sobre a importância da infraestrutura aeroportuária e sobre operações logísticas e de passageiros

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Daniel Miranda, Presidente da BH Airport • Arquivo pessoal

A infraestrutura aeroportuária tem papel decisivo no desenvolvimento econômico e na conexão de regiões com o Brasil e o mundo. Esse foi um dos principais pontos da conversa com Daniel Miranda, presidente do BH Airport, no Itatiaia Negócios Cast.

Durante a entrevista conduzida por Leonardo Bortoletto, Daniel explicou como funciona a operação de um aeroporto moderno e destacou que o operador aeroportuário atua como um coordenador de todo o ecossistema que envolve o terminal. “O operador aeroportuário atua muito como se fosse um maestro de toda a operação aeroportuária”, afirmou.

Segundo ele, a gestão envolve articulação permanente entre companhias aéreas, órgãos públicos e empresas privadas que atuam dentro do aeroporto. Daniel lembrou que a concessão do BH Airport, realizada em 2014, foi determinante para a transformação da infraestrutura aeroportuária da região. Desde então, o terminal recebeu cerca de R$ 1,3 bilhão em investimentos.

Entre as principais melhorias estão a ampliação da capacidade do terminal de passageiros e a expansão da pista para 3.600 metros de extensão, hoje uma das maiores do país. “Para que a gente possa chegar a outros continentes e trazer voos internacionais, o tamanho da pista é determinante”, explicou.

Leia a entrevista

Leonardo Bortoletto: Como é administrar um ambiente com tantos parceiros, que tem tanto envolvimento não só com o consumidor, mas tudo aquilo que você oferece para o consumidor dentro do seu espaço? Quais são os desafios?

Daniel Miranda: São muitos. O mais interessante é que o operador aeroportuário atua muito como se fosse um maestro de toda a operação aeroportuária. Nós temos um complexo que depende de todo um ecossistema onde há várias empresas atuando e cada empresa com a sua responsabilidade. Então, nós temos a companhia aérea que é responsável pela restituição de bagagem, despacho de bagagem, check-in dos passageiros. Nós temos a Polícia Federal que é responsável pelo controle migratório, fiscalização de passaporte. Temos Receita Federal. Temos uma infinidade de lojistas. É todo um ecossistema que, para fazer isso funcionar, tem que ter um relacionamento muito forte, tem que ter uma condução muito forte junto com as entidades públicas que estão dentro do sítio aeroportuário, que são muitas. Anvisa, Polícia Federal, Receita Federal e por aí vai. E também com as empresas privadas que estão alocadas dentro do aeroporto, que exploram atividades comerciais dentro do aeroporto. Então, é um desafio grande. A gente tem conduzido isso com muita maestria nos últimos anos. Outro “stakeholder” super importante: Governo Federal, Estadual e Municipal, porque a gente precisa muito de uma política de estado para desenvolver turismo de lazer, turismo de negócios, trazer novas empresas para nossa região e com isso trazer emprego, renda e um desenvolvimento econômico social adequado para nossa região. A gente acredita muito nesse potencial.

Leonardo Bortoletto: Uma das coisas que fica clara quando a gente olha para o aeroporto antes da concessão e depois da concessão, é justamente a melhoria. Você está falando de um hub que efetivamente desenvolve o estado. Acho que preparados do ponto de vista de infraestrutura a gente está. O que foi determinante logo que vocês receberam a concessão para mudar o panorama do aeroporto?

Daniel Miranda: Eu acho que vale voltar um pouquinho no tempo, desde a concepção do aeroporto naquela região, acho que foi visionário. Criar uma infraestrutura aeroportuária justamente para dar possibilidade de expansão e vislumbrar esse desenvolvimento não só na região de Belo Horizonte, mas na região do entorno também, foi super relevante. Na época, o aeroporto era dado como um grande elefante branco. Ao longo dos anos isso foi mudando um pouquinho a característica. Com a concessão em 2014, isso foi um fator determinante para essa mudança. Nós fizemos um volume de investimento super importante na ordem de R$ 1,3 bilhões, ao longo desses 11 anos. Os principais investimentos foram o aumento da capacidade do terminal de passageiros. A gente tinha uma capacidade instalada de 10 milhões de passageiros por ano. Hoje nós temos 32 milhões de passageiros por ano de capacidade. Um aumento da nossa pista para 3.600 m de extensão, que é a terceira maior pista do Brasil hoje. E por que é importante ter uma pista tão grande? Eu acho que vale a pena trazer esse conceito. O peso das aeronaves, a quantidade de combustível que a aeronave carrega é determinante para o tamanho da pista. Para que a gente possa chegar aos continentes e trazer essa demanda internacional para o nosso estado, para a nossa região, a pista é super importante e tudo isso com segurança.

Leonardo Bortoletto: Precisa ser uma pista grande para que o avião que é grande possa ter mais espaço para pousar e mais espaço para acelerar e decolar.

Daniel Miranda: Exatamente, com segurança. É super importante a gente ter uma pista com uma grande extensão e isso foi feito ao longo desses 11 anos. Recentemente, nós fizemos um investimento também importante reinaugurando o desembarque um, que ficou um espetáculo por sinal. Nós modernizamos toda a área de desembarque com um investimento de mais ou menos R$ 15 milhões, onde a gente trouxe uma experiência bem melhor. A gente já estava com o processador de restituição de bagagem um pouquinho além da capacidade e esse investimento foi essencial para garantir esse conforto para o passageiro.

Leonardo Bortoletto: Por que é importante para nós mineiros, por exemplo, termos o aeroporto com o terceiro maior número de destinos do país?

Daniel Miranda: É muito importante. Hoje nós temos quase 70 destinos no nosso aeroporto. É o terceiro maior em número de destinos totais e o segundo maior em número de destinos domésticos. Para ter uma ideia, a gente tem mais destinos domésticos que Guarulhos. Essa conectividade é importante para viabilizar cada vez mais novas rotas, principalmente as internacionais. Quando você tem uma conectividade doméstica relevante, você facilita o desenvolvimento de rotas internacionais.

Leonardo Bortoletto: Para quem gosta de fazer viagem internacional, toda expansão de rotas internas também é um ponto positivo?

Daniel Miranda: Exato. As companhias aéreas trabalham com o conceito de “hub spoke”. Quando elas instalam o seu “hub” em determinado aeroporto, dali elas distribuem para várias localidades. Muitos voos dependem não só da demanda local que é gerada na região, mas também de demandas em conexões. Por exemplo, nós temos hoje uma malha de voos regionais no estado de Minas Gerais que é a maior do Brasil. São 13 cidades atendidas e a gente traz muitos mineiros de outras cidades para se conectarem no nosso aeroporto e distribuir para o Brasil e para o mundo.

Leonardo Bortoletto: Um “hub” logístico multimodal. Explica qual é o tamanho do impacto disso para a economia, no que isso interfere no dia a dia do passageiro convencional?

Daniel Miranda: Quando a gente fala que o passageiro gera fluxo, gera experiência, e a carga gera valor agregado e desenvolvimento, indústria. No último ano nós circulamos aqui 12 mil toneladas de cargas, 8% de crescimento em relação ao ano anterior. Foi um volume muito importante para a região, que atrai novas empresas. Quando você tem um ativo tão estratégico quanto é o nosso aeroporto e tem essa facilidade de logística não só aérea, mas no conceito de multimodalidade, trazendo a carga do porto marítimo, trazendo carga no modal rodoviário. Você traz grandes empresas para fazerem negócios na nossa região.

Leonardo Bortoletto: Você acha que estamos fazendo isso bem? Que estamos fazendo o nosso dever de casa como Minas Gerais, como estado?

Daniel Miranda: Estamos no caminho certo, mas temos muitas oportunidades ainda. Para se ter uma ideia, muitas das cargas mineiras são nacionalizadas em São Paulo. A gente está trabalhando cada vez mais para que essas cargas passem pelo nosso estado, sejam nacionalizadas no nosso estado e a gente tenha capacidade de escoar isso com uma maior facilidade. Para isso tem que investir em infraestrutura rodoviária, tem que fazer outros investimentos tão relevantes para que a gente possa viabilizar isso. Com o Rodoanel, pode ser que isso seja potencializado, porque vai facilitar o acesso às principais rodovias federais.

Leonardo Bortoletto: É um centro de operações gigantesco. Estamos falando de mais de 100 operações comerciais, sala VIP e agora tem o hotel. É uma tendência global? Nós estamos aqui replicando os modelos de fora, tem algo de inusitado nisso? Qual é a receita?

Daniel Miranda: É uma tendência global. Os aeroportos cada vez mais deixam de ser um local apenas de passagem, embarque e desembarque, passam a ser um local de experiência. Nós seguimos essa tendência e está muito alinhado ao nosso propósito de cortar distâncias e conectar destinos, então fazer com que as pessoas se sintam à vontade no terminal, tenham opções. A gente tenta transformar aquela experiência, agregar valor ao tempo que o passageiro tem dentro do terminal. Nossa intenção é trazer cada vez mais facilidades para que nesse momento, nessa experiência que ele tem dentro do terminal, ele consiga resolver boa parte dos seus problemas e tenha uma viagem tranquila sem ruídos.

Leonardo Bortoletto: Você acha que o passageiro escolhe a companhia aérea ou ele acaba escolhendo o aeroporto?

Daniel Miranda: De certa forma ambos. Acredito que o aeroporto, principalmente na característica do aeroporto que nós temos, com um volume de conexão de mais ou menos 30%, com 80% da demanda do aeroporto vindo de outras localidades, isso pode ser uma determinação da companhia aérea. A companhia aérea escolhe onde que ela vai operar seus “hubs”.

Ela escolhe de acordo com o nível de eficiência e modernização que o aeroporto consegue oferecer para os seus clientes. Se o aeroporto não tiver infraestrutura, dificilmente vai atrair companhias aéreas. E aí você está concorrendo com os outros aeroportos do Brasil, porque é uma definição que independe de se Belo Horizonte só tem um.

Leonardo Bortoletto: Aí você está concorrendo com os outros aeroportos do Brasil, porque é uma definição que independe de se Belo Horizonte só tem um. Ele pode estar mudando o eixo dele para Campinas, por exemplo, ou mudando o eixo dele para Congonhas.

Daniel Miranda: Mas eu falo que é uma concorrência saudável, porque quando a gente coloca um destino no aeroporto, ele sai daqui e vai para algum lugar. Ele vai favorecer duas regiões, necessariamente. Eu acredito muito, claro que tem um nível de concorrência, mas eu acredito muito que os aeroportos podem e devem trabalhar em conjunto para que esse desenvolvimento seja de uma forma mais acelerada.

Leonardo Bortoletto: BH Airport foi o primeiro aeroporto neutro, neutralizou o seu carbono. Como você entende ESG para a definição dos investimentos? É obrigatoriedade? É um princípio?

Daniel Miranda: É o primeiro aeroporto carbono neutro do Brasil, é um baita orgulho conseguir esse marco. É algo que está no nosso DNA desde o início da concessão, não como uma pauta obrigatória, mas como uma pauta estratégica. Acredito muito que ter uma operação sustentável, que não agrida o meio ambiente, que tenha um olhar cuidadoso para a região do entorno, para a sociedade, para aquela localidade, para o desenvolvimento de uma forma geral, são empresas que vão ter muita prosperidade no futuro. A gente está sempre preocupado com isso. Recentemente nós adquirimos dois ônibus elétricos de uma frota de 10. Nós temos um plano de eletrificação da frota, a gente está mudando a de um combustível fóssil, para um combustível mais limpo. Nós fizemos alguns passos já, alguns veículos leves foram adquiridos elétricos, teve os ônibus elétricos agora. Nós estamos trocando algumas frotas a diesel por veículos a etanol flex, e isso nos possibilita ter uma redução significativa nas emissões. Nos últimos anos, nós reduzimos 70% da nossa pegada, que é bem expressivo, dá mais ou menos 9 mil toneladas de CO2 que deixou de ir para a atmosfera. É um baita resultado e isso gera valor para o negócio, seja através da credibilidade da empresa, da reputação, seja através da criação de novos produtos e serviços.

Nós implementamos um equipamento que chama PCA e GPU, são dois equipamentos acoplados em um. O GPU fornece energia elétrica para a aeronave, quando a aeronave está estacionada na ponte de embarque, ele fornece a energia para a aeronave. O PCA climatiza a aeronave, como se fosse um ar-condicionado remoto. Antes de ter esses equipamentos a aeronave ficava ligada, consumindo querosene, poluindo muito o meio ambiente. Ou desligava e usava equipamentos a diesel, que é altamente poluente e também tinha um custo muito alto para as companhias aéreas. O que nós fizemos? Nós implantamos um equipamento 100% elétrico. A nossa matriz energética é 100% limpa, garantida pela Cemig. E hoje nós fornecemos toda a energia e toda a climatização para a aeronave com uma matriz limpa. Isso teve um impacto em redução muito expressivo e eficiência para a Companhia Aérea.

Leonardo Bortoletto: Como é que você enxerga o aeroporto em 2030?

Daniel Miranda: Não dá para falar em tecnológico, porque a tecnologia está avançando numa velocidade muito rápida. Mas eu vejo um aeroporto cada vez mais conectado, um aeroporto cada vez mais integrado, que é super relevante. Não adianta a gente ter um aeroporto moderno, eficiente e os modais não estarem conversando, então eu acredito muito na multimodalidade partindo de um ativo estratégico como é o aeroporto e com uma experiência agradável do ponto de vista de fluidez, conforto, menos ruído, mais silencioso. Um ambiente mais silencioso e mais confortável.

Vou dar um “spoiler” aqui, mas é de algo que a gente está estudando ainda, mas eu vejo isso muito no futuro, que são operações cada vez mais autônomas. A gente tem visto projetos em grandes empresas de equipamentos autônomos, veículos autônomos. Em aeroportos eu não vejo de outra forma. Eu acredito que muitas das atividades de pátio no futuro serão feitas com equipamentos autônomos, e a gente já está experimentando, fazendo alguns testes para ver como é esse tipo de equipamento se comporta num ambiente tão complexo.

Leonardo Bortoletto: E dentro do terminal, alguma coisa nós podemos esperar até 2030?

Daniel Miranda: Dentro do terminal a gente está fazendo alguns testes também. Com o próprio veículo autônomo, não só para deslocamento de carrinhos, por exemplo, mas também limpeza do terminal, atendimento. Então, tem um atendimento de um agente, um “concierge”. Quem sabe no futuro breve? A gente está buscando trazer esse tipo de facilidade para o passageiro para que a gente possa transformar a experiência no nosso terminal.

Leonardo Bortoletto: Nós temos um quadro aqui que eu aperto um pouco o meu convidado, que nós chamamos de raio-x. Eu te faço uma pergunta, você tem que me responder ela rápido, um corte, firme. Passageiro ou carga?

Daniel Miranda: Ambos. Ambos porque são complementares. Quando você traz um voo internacional, por exemplo, você fomenta a carga. Quando você fomenta a carga, você viabiliza um voo internacional, porque muitas vezes você até ajuda a reduzir o preço das passagens aéreas. Você vai diluindo aquele custo

Leonardo Bortoletto: Mais voos ou mais eficiência?

Daniel Miranda: Mais eficiência. Não adianta ter muitos destinos, se você não tem um equipamento eficiente, onde as empresas aéreas queiram voar, onde as pessoas queiram permanecer e ter o seu tempo de qualidade.

Leonardo Bortoletto: Infraestrutura aeroportuária é custo ou investimento estratégico?

Daniel Miranda: Com certeza é um investimento estratégico. É um setor que está crescendo cada vez mais no Brasil. Hoje, 95% da demanda já está concedida, já estão com empresas privadas. Saiu uma pesquisa recentemente da Embratur, que fala que cada estrangeiro que visita o nosso país, ele gasta em média R$ 175 por dia e tem uma permanência de 12 dias. Então, pensem quanto que isso gera de emprego e renda, quanto que isso é injetado na nossa economia. Então, a gente tem que olhar os aeroportos e olhar o turismo cada vez mais como algo muito estratégico para o desenvolvimento do estado e do país.

Leonardo Bortoletto: Nós temos um outro quadro que é a pergunta de ouro, que vem da audiência direto para você. Por que a passagem aérea ainda é tão cara mesmo com aeroporto moderno e com mais rotas?

Daniel Miranda: Excelente pergunta. Geralmente se associa mais ao aeroporto, mas o custo do aeroporto para a companhia aérea é muito pequeno. Deve representar algo em torno de 3% do custo da companhia aérea. Combustível é 30% aproximadamente. A gente tem um impacto muito grande macroeconômico nos preços da passagem. Grande parte dos custos, o querosene da aviação em dólar, as aeronaves, tudo custa em dólar. Então, a volatilidade do dólar, os indicadores macroeconômicos têm um impacto muito relevante no custo da passagem e para isso a gente tem que tratar esse setor como algo estratégico para o desenvolvimento. Impostos, por exemplo, impactam demais no preço do combustível e isso encarece muito a jornada do passageiro, encarece muito o valor das passagens.

Leonardo Bortoletto: Mais uma pergunta de ouro. Quando o aeroporto cresce, o que melhora na vida de quem mora em Minas Gerais?

Daniel Miranda: Melhora demais. Quem conhece a região sabe que o aeroporto, principalmente depois que foi concedido, mudou a realidade da região, mudou a realidade principalmente do município de Confins. Trouxe muitas oportunidades de desenvolvimento não só para a região do vetor Norte, mas para o estado de Minas Gerais. Gerando oportunidade de desenvolvimento, trazendo mais empresas, desenvolvendo o turismo. Nós tivemos um crescimento no turismo nos últimos dois anos espetacular no nosso estado. Nós temos um potencial muito grande, mas se não tiver os ativos estratégicos, se não tiver a infraestrutura necessária para desenvolver isso, é muito difícil. Eu acredito que não há desenvolvimento se todas as partes interessadas não trabalharem em conjunto. Seja governo, seja empresa privada, seja aeroporto, seja a companhia aérea, seja as sociedades civis, todo mundo tem que estar trabalhando em prol do desenvolvimento. O mais complicado é manter a rota. Bogotá, por exemplo, nós trouxemos a rota e não durou muito tempo. Faltou incentivo, faltou divulgação, faltou promoção de Belo Horizonte como destino, de Minas Gerais como destino. Nosso maior desafio não é levar o mineiro para o mundo, mas trazer o mundo para Minas.

Leonardo Bortoletto: Agora quem vai fazer a pergunta para você não sou eu, vai ser Emir Cadar Filho, que é vice-presidente da Fiemg. Confere a pergunta: qual a dificuldade de conseguir mão de obra qualificada para o seu setor?

Daniel Miranda: Realmente a mão de obra qualificada é um grande desafio, acho que não só para o setor aeroportuário, para todas as indústrias de uma forma geral. Hoje, nós temos uma demanda alta e a demanda vem crescendo cada vez mais. E a necessidade de mão de obra também. A gente tem uma dificuldade grande de conseguir trazer uma mão de obra para dentro do aeroporto e nos últimos anos nós começamos a trabalhar inclusive com feirões. Teve um último feirão que nós realizamos na cidade de Pedro Leopoldo, por exemplo, onde nós tínhamos ali 250, 300 vagas em aberto dos lojistas dos aeroportos, que não é uma administração geral do aeroporto, mas nós atuamos muito fortemente para apoiar esses lojistas e fazer a captação dessa mão de obra. A gente conseguiu fechar 200 vagas nesse processo. A gente vem trabalhando também com projetos sociais voltados para educação, empregabilidade e inclusão social, para tentar qualificar cada vez mais essa mão de obra e preparar as pessoas para o mercado, preparar as pessoas para o futuro que está por vir.

Leonardo Bortoletto: Deixa para nossa audiência dois conselhos práticos, estratégicos para quem está em uma operação complexa de infraestrutura como a sua.

Daniel Miranda: Acho que o principal conselho é invista em pessoas. Pessoas, cultura, eu acho que é o principal motor de desenvolvimento de qualquer companhia e principalmente com uma companhia com a complexidade de uma infraestrutura aeroportuária. E o segundo está relacionado a pessoas também, que é o relacionamento. Investir em relacionamento, parcerias, porque ninguém constrói uma empresa de sucesso sozinho e a gente precisa estar lado a lado. Seja uma empresa privada, seja governo, como eu comentei antes. Então, é importante ter esse relacionamento forte para que a gente possa juntos caminhar num único propósito e entregar valor para todas as partes relacionadas.

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Leonardo Bortoletto é empresário e apresentador do Itatiaia Negócios Cast e comentarista do Conversa de Redação. Com olhar estratégico para gestão e mercado, entrevista líderes que impulsionam decisões e transformações reais.