Estoque inteligente pode ser saída para PMEs lucrarem em cenário de juros altos

Gestão digital de inventário reduz em 15% a ociosidade produtiva apontada pela Deloitte; Confederação Nacional da Indústria destaca que Selic elevada trava crescimento de cerca de 27% das fábricas

Gestão digital de inventário reduz perdas e compensa Selic elevada

O investimento em tecnologia pode ser uma saída concreta para o pequeno e médio manter a rentabilidade em um cenário econômico restritivo. Em um cenário de crédito mais caro, uma mudança de foco pode ser saudável: em vez de buscar empréstimos, a prioridade pode ser eliminar os desperdícios internos. A gestão digital de materiais é uma das ferramentas mais eficazes na proteção do caixa e na garantia da continuidade da produção.

O peso dos juros no cotidiano da fábrica

A necessidade de otimizar processos é impulsionada pela realidade financeira do país. Segundo o Informe Conjuntural da Confederação Nacional da Indústria (CNI), referente ao terceiro trimestre de 2025, a taxa Selic mantida em 15% ao ano (de Brasília) é o maior entrave para o setor produtivo.

O documento da CNI revela que os juros elevados são apontados por 27% dos empresários como o principal obstáculo para o crescimento dos negócios. Esse custo financeiro elevado reduz a capacidade de investimento das pequenas empresas e encarece a manutenção de grandes volumes de estoque parado.

Tecnologia como fonte de capital de giro

Para o pequeno industrial, o investimento em um estoque inteligente funciona como uma injeção de recursos próprios na operação. De acordo com a pesquisa ‘2025 Smart Manufacturing and Operations Survey’, da consultoria Deloitte, a digitalização permite desbloquear até 15% da capacidade produtiva que antes ficava ociosa.

Esse ganho de eficiência ocorre porque o sistema conecta a produção à demanda real, evitando que a empresa gaste com matéria-prima desnecessária. A consultoria Deloitte destaca os seguintes benefícios diretos da adoção de tecnologias inteligentes:

  • Aumento de 10% a 20% no volume total de produção das fábricas;
  • Elevação de até 20% na produtividade da mão de obra;
  • Monitoramento de insumos em tempo real para evitar perdas físicas ou vencimentos;
  • Sincronização rigorosa entre o setor de vendas e o inventário físico

Solução para a escassez de mão de obra

Além do desafio financeiro, a indústria enfrenta dificuldades para encontrar trabalhadores preparados. O relatório da CNI indica que a falta de mão de obra qualificada preocupa 26,1% dos industriais brasileiros. Nesse contexto, a automação do controle de estoque torna-se estratégica.

Ao adotar sistemas de monitoramento automático, o pequeno industrial reduz a dependência de contagens manuais, que são lentas e sujeitas a erros. Isso permite que a equipe existente seja deslocada para funções mais complexas, aumentando a eficiência global da unidade produtiva sem a necessidade de novas contratações imediatas.

O que é a manufatura inteligente?

A manufatura inteligente, ou smart manufacturing, é a transformação de uma fábrica tradicional em uma unidade totalmente conectada. Ela utiliza sensores de Internet das Coisas (IoT) para coletar dados de cada etapa da produção. Essas informações são processadas por softwares que sugerem melhorias e antecipam problemas antes que eles gerem prejuízos.

Para o pequeno empresário, essa tecnologia significa ter o controle total sobre o que entra e o que sai da fábrica. Ao produzir apenas o que o mercado absorve, a indústria evita o desperdício de materiais e protege o seu lucro contra as oscilações da economia nacional.

Entenda o caso

A indústria de transformação no Brasil vive um período de ajuste, com a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do setor recuando para 0,7% em 2025. O cenário de “aperto” monetário e demanda interna insuficiente exige que os gestores busquem competitividade dentro da própria fábrica.

A tendência de digitalização ganhou força após as crises logísticas globais de 2024, que mostraram a fragilidade de estoques mal planejados. Atualmente, o uso estratégico de dados é visto como o único caminho para que micro e pequenas empresas consigam competir com grandes grupos e produtos importados.

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Amanda Alves é graduada, especialista e mestre em artes visuais pela UEMG e atua como consultora na área. Atualmente, cursa Jornalismo e escreve sobre Cultura e Indústria no portal da Itatiaia. Apaixonada por cultura pop, fotografia e cinema, Amanda é mãe do Joaquim.

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