Além da idade: ergonomia transforma postos de trabalho em ativos estratégicos
Com o envelhecimento populacional indicado pelo IBGE em 2025, empresas investem em ajustes antropométricos e fisiológicos; Fernanda Gabriela de Souza Pinto, do Sesi MG, explica como intervenções garantem longevidade no chão de fábrica

O cenário nas plantas industriais brasileiras está mudando de tom. Onde antes predominava o vigor da juventude, hoje observa-se um amadurecimento constante da força de trabalho. De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais 2025, publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população com 60 anos ou mais já soma 34,1 milhões de pessoas, representando 19,7% daqueles em idade de trabalhar. Entre 2012 e 2024, o contingente de idosos no mercado cresceu 53,3%.
Esse fenômeno, impulsionado pela redução das taxas de fecundidade e pelo aumento da expectativa de vida, exige que o setor produtivo repense seus espaços. Não se trata apenas de inclusão, mas de uma estratégia vital para a manutenção da produtividade e do conhecimento técnico acumulado no chão de fábrica.
A metamorfose do corpo e o posto de trabalho
O envelhecimento impõe desafios silenciosos à rotina fabril. Com o tempo, o corpo (bússola primordial de qualquer operário) altera suas coordenadas antropométricas e fisiológicas. Fernanda Gabriela de Souza Pinto, especialista em ergonomia do Serviço Social da Indústria de Minas Gerais (Sesi MG), explica que as mudanças sensoriais e motoras são inevitáveis.
Para a especialista, as empresas devem priorizar o ajuste do mobiliário para atender à "maior variabilidade corporal, exigindo mobiliário ajustável". No campo fisiológico, o foco recai sobre a "redução da força muscular e da resistência física", além da "diminuição da flexibilidade e da amplitude articular". Fernanda destaca que o tempo de reação também muda, ocorrendo "alterações na coordenação motora e maior tempo de reação".
As recomendações práticas para mitigar esses impactos incluem:
- Posicionar ferramentas e materiais ao alcance direto;
- Reduzir a complexidade das informações visuais e auditivas;
- Aumentar a intensidade da iluminação;
- Melhorar o contraste visual.
Ergonomia como investimento estratégico
Em plantas industriais antigas, a adaptação pode parecer, à primeira vista, um peso financeiro. No entanto, a visão técnica de Fernanda Pinto revela que o retorno sobre esse investimento é rápido e mensurável. Segundo ela, a ergonomia de adaptação "se paga ao reduzir o absenteísmo, evitar afastamentos prolongados e preservar o conhecimento técnico dos operadores experientes".
O ajuste dos sentidos: luz e som
A adaptação sensorial é um dos pilares mais críticos da segurança industrial para o trabalhador sênior. A visão e a audição, ferramentas de alerta constantes, sofrem desgastes naturais como a presbiopia e a perda auditiva em frequências altas.
Fernanda sugere que a iluminação deve ser revista para ser "uniforme, sem sombras ou ofuscamento", com "níveis de iluminância mais altos para compensar a presbiopia e a menor sensibilidade ao contraste". Na sinalização visual, a regra é clara: "uso de cores de alto contraste e fontes maiores", eliminando estímulos irrelevantes para reduzir a dispersão.
No campo auditivo, a mudança é técnica. Como há perda de percepção nos tons agudos, Fernanda recomenda o uso de "alarmes em frequências médias e graves". Essas interfaces mais simples e diretas aumentam a confiabilidade do sistema e garantem que a experiência do trabalhador de 50 anos ou mais continue sendo o maior ativo de competitividade da indústria nacional.
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Amanda Alves é graduada, especialista e mestre em artes visuais pela UEMG e atua como consultora na área. Atualmente, cursa Jornalismo e escreve sobre Cultura e Indústria no portal da Itatiaia. Apaixonada por cultura pop, fotografia e cinema, Amanda é mãe do Joaquim.



