Fundos de investimento: o que é e como investir
Entenda como funciona a modalidade de investimento, seus principais tipos e que estratégias usar para escolher suas aplicações financeiras

Os fundos de investimento são uma modalidade usada para diversificação da carteira de investimentos. Por ter tanto opções de renda fixa quanto de renda variável, oferece alternativas para diferentes perfis de investidores.
Segundo os dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), a indústria de fundos cresceu 12,9% em 12 meses encerrados em março de 2026. Com patrimônio de R$ 10,8 trilhões, sua captação líquida foi de R$ 159,2 bilhões, o maior fluxo para o período em cinco anos.
Abaixo, entenda o que são, como funcionam na prática e como escolher a melhor estratégia para começar a investir.
O que são os fundos de investimento?
Os fundos de investimento funcionam como uma aplicação financeira coletiva. Os investidores compram cotas, que nada mais são do que partes do fundo. Esses recursos são administrados por um gestor profissional, que recebe parte do rendimento das aplicações para realizar este trabalho.
Assim, cada cotista recebe uma fração do capital do fundo, sempre proporcional ao valor que investiu.
Arthur Ridolfo Neto, pesquisador e professor do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira (FGVcemif) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica que os fundos de investimento são uma forma de você não deixar “todos os ovos em uma única cesta”.
“Vários estudos feitos no passado, inclusive pelo economista que desenvolveu a teoria do portfólio na década de 1950, Harry Markowitz, mostram a importância de você diversificar para reduzir os riscos”, conta Neto.
No caso dos fundos, a gestão por um especialista em investimentos é um diferencial, já que não é preciso acompanhar as variações das aplicações diariamente.
“Não é sobre não ser capaz. A pessoa pode ser brilhante, mas não necessariamente entender sobre finanças. E é aí que o fundo entra”, detalha o professor. “Com as nossas próprias atividades profissionais, ao invés de ficar montando estratégias detalhadas, que tomam tempo, delegamos isso para o fundo”.
Quais os principais tipos de fundos de investimento?
O mercado brasileiro oferece alternativas com diferentes aspectos de liquidez, rentabilidade, risco e indexação.
- Renda fixa: são aqueles com retornos mais previsíveis e menos volatilidade. Seus ativos incluem títulos públicos, debêntures, CDBs e letras de crédito, com taxas de juros que podem ser prefixadas, pós-fixadas ou híbridas. Os índices mais comuns são o CDI, a Selic e o IPCA
- Multimercado: podem investir numa variedade de ativos, incluindo ações, títulos, renda fixa, moedas estrangeiras, entre outros. As estratégias mais comuns incluem macro, trading, long & short, quantitativa, arbitragem e fundos de fundos
- Ações: os fundos de ações são um tipo de renda variável de alto risco. Aplicam no mínimo 67% do patrimônio neste tipo de ativo, incluindo ações de companhias abertas negociadas em bolsa de valores, recibos de ações, ETFs (Exchange Traded Funds), e outros títulos e valores mobiliários
- Crédito privado: são classificados como renda fixa, e concentram a carteira em títulos emitidos por empresas e instituições privadas. Os principais tipos são CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio), CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários), debêntures, notas promissórias, FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios). A diferença aqui está no risco de crédito. Ou seja, na possibilidade de o emissor não honrar o pagamento. Por isso, seu risco é de moderado a alto
Para escolher entre os fundos e começar a investir, é interessante acompanhar bancos e gestoras de investimento, assim como se informar sobre como atuam.
A Inter Asset, por exemplo, é uma gestora do Grupo Inter especializada em fundos de investimento. São mais de 23,44 bilhões de ativos sob gestão e mais de 347 mil clientes.
Como saber onde investir?
O especialista Arthur Ridolfo Neto destaca que é preciso conhecer o seu perfil de investidor e sua fase da vida.
“Alguém jovem, que está construindo seu patrimônio, pode colocar uma parte maior do portfólio em ativos de risco, porque a chance de rentabilidade é maior”, exemplifica. “As perdas eventuais vão ser compensadas no futuro”.
Para quem já construiu patrimônio e quer manter, como é o caso de aposentados ou de pessoas quase no momento da aposentadoria, o ideal é alocar uma parte maior da carteira em investimentos de baixo risco.
O professor e pesquisador em finanças da FGV lembra que outro aspecto é o comportamental. Saber onde investir depende da tolerância à perda de cada um. Quando há movimentações de mercado que baixam o valor, há indivíduos que reagem imediatamente, vendendo cotas e resgatando o dinheiro, por exemplo.
“Muitas vezes a perda não é definitiva, esperar um pouco pode fazer com que os valores aumentem novamente”, conta o especialista.
Uma forma de lidar com isso é decidir o máximo de perda aceitável e só fazer o resgate ou a venda se o valor chegar nisso.



