Itatiaia

Endividamento das famílias aumenta preocupação com inadimplência nas escolas particulares

Pequenas escolas são as que sentem mais os efeitos

Por
Endividamento das famílias atinge recorde histórico no Brasil
Imagem meramente ilustrativa • MArcello Casal Jr/Agência Bras

O alto índice de endividamento das famílias brasileiras já começa a preocupar também as escolas particulares. Além de afetar o caixa das instituições, o atraso no pagamento das mensalidades pode comprometer o planejamento financeiro e os investimentos para o próximo ano letivo.

O cenário econômico reforça essa preocupação. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que, em abril deste ano, 80,9% das famílias brasileiras estavam endividadas e quase 30% tinham contas em atraso.

Segundo a vice-presidente institucional do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG), Cristiane Boaventura Barbosa, é importante diferenciar atraso de pagamento e inadimplência. "Ao longo do ano, nós temos situações recorrentes de atrasos de pagamento. Esse indicador oscila entre 15% e 20% em alguns períodos e pode cair para cerca de 8%. Já a inadimplência efetiva, no fechamento do ano, tem variado entre 2% e 5% nos últimos anos", explica.

De acordo com ela, o principal desafio das instituições é administrar esses atrasos por meio do diálogo e da negociação com as famílias. "É uma questão que precisamos gerenciar diariamente, buscando o diálogo, a negociação e abrindo possibilidades para que as famílias consigam se organizar financeiramente", afirma.

Cobrança terceirizada

Para reduzir os impactos financeiros, algumas escolas têm recorrido à terceirização da cobrança das mensalidades. "Hoje existem empresas especializadas que fazem toda essa gestão para milhares de estudantes em todo o país, permitindo que a escola tenha uma maior previsibilidade orçamentária para trabalhar", destaca Cristiane.

Pequenas escolas sentem mais os efeitos

A preocupação é ainda maior entre as instituições de pequeno e médio porte, que possuem menor capacidade financeira para enfrentar períodos prolongados de queda na arrecadação. No Instituto Aquarela, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde estudam cerca de 150 alunos da educação infantil e do ensino fundamental, a inadimplência varia entre 7% e 10%.

Embora o índice não seja considerado elevado, o diretor da escola, Lucas Aires, afirma que o comportamento das famílias mudou nos últimos anos, obrigando a instituição a recorrer à Justiça para recuperar valores em atraso. "A inadimplência é uma realidade. Não há diretor de escola que diga que não enfrenta esse problema. Cada instituição procura lidar da forma que considera mais adequada. Aqui não é diferente. Nos últimos dois anos, tivemos de recorrer ao Poder Judiciário para tentar reaver valores que deixaram de ser pagos", relata.

Segundo ele, o atraso nas mensalidades compromete diretamente a administração da escola. "A inadimplência pressiona o fluxo de caixa, independentemente do tamanho da escola. Isso acaba impactando projetos, investimentos e toda a gestão financeira. Temos despesas que precisam ser pagas todos os meses, como folha de pagamento dos professores e funcionários, manutenção da estrutura, contas de água, energia e outros custos fixos", explica.

Mesmo diante das dificuldades, o setor aposta na negociação para evitar conflitos e garantir a permanência dos estudantes, buscando equilibrar a saúde financeira das instituições com a realidade econômica enfrentada pelas famílias.

Por

Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

Belo Horizonte