Crescimento urbano pressiona serviços públicos e desafia planejamento das cidades
Expansão desordenada impacta transporte, saúde e qualidade de vida, enquanto especialistas defendem planejamento de longo prazo

O crescimento urbano reflete a ampliação e a necessidade de melhoria na oferta de serviços públicos nas cidades para atender a nova demanda. A população já sente os reflexos, especialmente nas áreas da saúde e do transporte público, como relata a cuidadora de idosos Neuza Santos.
“Para mim, tinha que melhorar muito mais o transporte, principalmente o metrô. Na hora que a gente pega, está sempre superlotado, cheio demais. E a passagem é muito cara”, indaga.
Esses problemas são reflexo do crescimento desordenado das cidades, desafio constante para os municípios. Com a expansão populacional, aumenta também o número de carros, casas, prédios e empresas. No entanto, a gestão municipal nem sempre consegue organizar esse avanço de forma que o transporte público, a saúde, a educação e a segurança consigam atender toda a população de maneira igualitária.
O professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Rodrigo Nóbrega, mestre e doutor em Engenharia de Transportes, afirma que essa expansão desorganizada afeta toda a dinâmica urbana.
“A população acaba ficando nesses bolsões que vão sendo formados, geralmente distantes do trabalho ou da escola. É preciso pensar na perspectiva do transporte, por isso é necessário ter um sistema. Quando falo em sistema, não é só infraestrutura, mas também os equipamentos em uso, como veículos e o próprio transporte público. É preciso um sistema de transporte eficiente. E, quando digo eficiente, não é só eficaz, mas também financeiramente acessível para a população”, explica o professor.

Para Rodrigo Nóbrega, esse crescimento é uma consequência do próprio desenvolvimento. “Isso já aconteceu no passado, continua acontecendo e deve continuar no futuro, porque a cidade está sempre em transformação, em desenvolvimento”, afirma.
Já o professor Paulo Resende, do Núcleo de Infraestrutura da Fundação Dom Cabral (FDC), destaca que a demanda por serviços urbanos não para de crescer, o que exige planejamento de longo prazo.
“A demanda é crescente. Ela só desacelera com fenômenos muito estruturantes e fortes, como a pandemia. Mesmo assim, foi algo de curto prazo. O home office tem reduzido bastante esses deslocamentos nas cidades. A infraestrutura é muito difícil de acompanhar, principalmente por falta de recursos. Mas não se pode abrir mão do planejamento de longo prazo, de forma nenhuma”, afirma.
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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



