Juros altos e falta de mão de obra desafiam avanço do agronegócio, afirma Rita Mundim
Durante o Eloos Itatiaia Agro, em Belo Horizonte, economista destacou o contraste entre a safra recorde e as deficiências em infraestrutura e qualificação profissional

O agronegócio brasileiro alcança resultados históricos de produção, mas ainda enfrenta gargalos estruturais que limitam seu potencial de crescimento. A avaliação é da economista, comentarista da Itatiaia e da CNN Brasil, Rita Mundim, que participou nesta segunda-feira (1º) do Eloos Itatiaia Agro, realizado em Belo Horizonte.
Responsável pela mediação de um dos painéis do evento, Rita destacou o que classifica como o "paradoxo do Brasil": a coexistência de recordes na produção agropecuária com deficiências históricas em infraestrutura e qualificação profissional.
“Nós temos uma safra recorde e uma infraestrutura extremamente frágil. Isso vale para os grãos, mas também para a pecuária, que enfrenta um grande déficit de mão de obra qualificada”, afirmou.
Segundo a economista, a falta de investimentos em educação e de políticas públicas voltadas à formação profissional dificulta o avanço da produtividade no campo. Ela destacou o papel de instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) na capacitação dos trabalhadores rurais.
Durante a entrevista, Rita também ressaltou a importância de Minas Gerais para o agronegócio nacional. Ela lembrou que o estado reúne condições naturais favoráveis à produção e citou o legado do ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, reconhecido por sua contribuição para o desenvolvimento da agricultura tropical brasileira.
Ao analisar o cenário econômico, a comentarista apontou os juros elevados como um dos principais desafios para o setor. Na avaliação dela, o aumento da dívida pública e dos gastos governamentais tem contribuído para a manutenção de taxas de juros elevadas, encarecendo o crédito para produtores e empresas.
“Quando o governo aumenta a dívida, aumenta também o risco do país. Isso acaba sendo refletido em juros mais altos para toda a sociedade”, disse.
Rita argumentou ainda que o crescimento recente da economia brasileira ocorre em meio ao aumento do endividamento público e privado, o que, segundo ela, compromete a sustentabilidade desse avanço no longo prazo.
Apesar das dificuldades, a economista destacou a capacidade de adaptação do agronegócio brasileiro. Para ela, os resultados do setor são fruto de investimentos em tecnologia, inovação e do trabalho dos produtores rurais.
“Graças à tecnologia, ao esforço e à dedicação de quem está no campo, o agro brasileiro continua avançando e superando obstáculos”, concluiu.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

