Condomínios inteligentes impulsionam conceito de 'Smart Cities' no Brasil
Especialista aponta condomínio em Betim como um dos casos de sucesso para Regiões Metropolitanas

O conceito de Smart Cities, ou Cidades Inteligentes, tem sido cada vez mais discutido nas grandes cidades do mundo. No Brasil, a implementação deste modelo começa a ganhar força pelos condomínios residenciais, que vêm incorporando tecnologias capazes de aumentar a segurança, a eficiência na gestão e a sustentabilidade.
A avaliação é de Daniel Gomes, coordenador do Grupo de Trabalho de Administração de Condomínios do Conselho Regional de Administração de Minas Gerais (CRA-MG) e membro da Comissão Especial de Administração de Condomínios do Conselho Federal de Administração (CEAC-CFA), em entrevista à Itatiaia.
Segundo ele, o Brasil já possui uma referência técnica para orientar esse desenvolvimento. "Hoje existe um padrão nacional baseado na ABNT, na ISO 37122, que define indicadores para avaliar o desempenho das cidades em áreas como mobilidade, inovação, saúde, segurança, saneamento, energia, educação e governança", explica.
Condomínios
Para Gomes, uma cidade inteligente não depende apenas da atuação do poder público, mas da criação de um ecossistema integrado. Nesse contexto, os condomínios assumem papel estratégico.
"Os condomínios são pequenas cidades. Tecnologias como controle de acesso digital, monitoramento por inteligência artificial, gestão eficiente de energia e água, carregadores para veículos elétricos e integração com os serviços públicos fazem deles peças importantes no desenvolvimento das cidades inteligentes", afirma.

Na prática, a transformação já está acontecendo. Segundo o especialista, aplicativos integrados conectam administradoras, síndicos e moradores aos sistemas de segurança e gestão predial.
"Hoje já conseguimos integrar inteligência artificial às câmeras de monitoramento. Elas detectam preventivamente aglomerações, pessoas em locais proibidos, fumaça, princípio de incêndio, vazamento de gás, presença de armas e outras situações de risco. Não esperamos mais o problema acontecer; a tecnologia avisa em tempo real", destaca.
Esse conceito, segundo Gomes, muda completamente a lógica da segurança condominial. "Antes falávamos em muros altos. Hoje falamos em inteligência embarcada e prevenção. Se uma pessoa sobe em um muro onde não deveria estar, por exemplo, o sistema gera um alerta imediatamente."
Além da segurança, a automação também facilita o dia a dia dos moradores. Sistemas de reconhecimento facial, armários inteligentes para entregas, fechaduras eletrônicas, estações para recarga de veículos elétricos e aplicativos que centralizam toda a comunicação do condomínio já fazem parte desse novo modelo.
"O entregador deixa a encomenda no armário inteligente, o morador recebe uma notificação no aplicativo e pode retirar o produto com mais segurança, sem necessidade de contato direto", exemplifica.
Sustentabilidade
A sustentabilidade também integra o conceito dos chamados smart condomínios. Daniel Gomes cita iniciativas como captação de água da chuva, economia de energia, coleta seletiva e obtenção de selos verdes.
"Os condomínios que implementam soluções para economia de recursos hídricos, eficiência energética e gestão adequada dos resíduos passam a fazer parte desse universo das cidades inteligentes”, declarou.
RMBH
Uma das referências brasileiras apontadas pelo especialista está em Minas Gerais. O empreendimento Sete Sóis, em Betim, está sendo desenvolvido dentro desse conceito. "É um complexo de sete torres, com cerca de cinco mil unidades. Todo o projeto foi pensado considerando mobilidade, segurança, meio ambiente, monitoramento, inclusão digital e integração com o comércio local. É um case que já começa a ser replicado em outras regiões do país", afirma.
Para Daniel Gomes, a principal vantagem desse modelo é que sua implantação não depende exclusivamente das prefeituras. "Cada condomínio pode iniciar sua própria transformação. Já existem tecnologias viáveis para que os condomínios se tornem verdadeiros microambientes inteligentes, contribuindo para o desenvolvimento das futuras cidades inteligentes”, completou.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



