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Como analisar uma empresa antes de investir?

Além de estratégia, montar um portfólio com investimentos em ações de depende do perfil de risco e do tipo de gestão da carteira

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Homem segura o celular com as duas mãos, com notebook e relatórios na mesa à sua frente, com variação de dados de preço das ações expostos nas telas.
Representação de pessoa avaliando ações de empresas na bolsa de valores. • Freepik

No investimento em ações, a análise das empresas passa por uma série de fatores, como a forma com a qual a companhia ganha e perde dinheiro, a qualidade da gestão do negócio e a saúde financeira indicada pelos relatórios.

Além disso, a disponibilidade para riscos e o tempo que será dedicado para a gestão da carteira são questões que precisam ser consideradas.

Normalmente isso se reflete no perfil de investidor, que pode ser conservador, moderado ou arrojado. Diferentes instituições financeiras oferecem testes gratuitos que indicam com qual deles as suas características financeiras e de personalidade se encaixam.

O que é ideal na hora de avaliar uma empresa para investir?

“Primeiro, o mais importante é entender o negócio”, defende Claudia Emiko Yoshinaga, professora associada de finanças da FGV e coordenadora do Centro de Estudos em Finanças (FGVcef). “Parece óbvio, mas não é tão simples: é saber como é que essa empresa ganha dinheiro”.

A professora dá o exemplo de locadoras de carros. O aluguel dos veículos é uma atividade que a companhia realiza, mas não necessariamente o que gera seus lucros.

“Onde ela realmente ganha dinheiro é comprando os carros novos com um super desconto junto à montadora e depois revendendo estes veículos no mercado secundário”, diz, lembrando que saber deste tipo de detalhe permite saber também o que faz a companhia perder dinheiro.

Para evitar riscos, como a perda de tudo o que foi investido, é interessante identificar o que pode acontecer na economia que faz determinado investimento dar errado.

Abaixo, veja outros pontos que merecem a atenção na avaliação de empresas:

Considere o potencial de valorização

Nem sempre empresas já consideradas boas são a melhor opção de investimento, já que o objetivo é a valorização dos ativos.

“Se todo mundo acha a empresa boa, essa opinião comum já está no preço, e não necessariamente você vai ganhar dinheiro com esta ação”, conta Yoshinada.

Ou seja, o ideal é que o preço da ação na hora da compra seja baixo e que o negócio vá bem o suficiente ao longo do tempo para que o valor de venda dela seja o maior possível. Esta variação de preço precisa existir para gerar ganhos ao investidor.

Sempre tenha a diversificação como um dos pilares

Principalmente para quem não entende tanto de ações e de mercado financeiro, fazer uma aposta concentrada em uma só empresa ou setor traz riscos grandes.

“Pensando como pesquisadora de finanças, não acho que é tão fácil você acertar quais são as ações que vão dar certo. Nem gestor de fundo de ações consegue acertar tão bem, e ele vive e respira isso”, alerta a professora.

Além de diversificar as ações no portfólio, ter investimentos de outros tipos, como renda fixa e cotas de fundos, gera mais equilíbrio e segurança.

Avalie a rentabilidade da empresa

Indicadores como dividend yield, ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido), margem líquida e ROA (Retorno sobre Ativos) podem ajudar a identificar a rentabilidade das empresas e seu desempenho financeiro ao longo do tempo.

Devem ser observados, além do aumento das receitas, crescimento nas vendas e nas margens de lucro e operacionais, assim como o endividamento da companhia. 

“Por mais que a Selic esteja baixando, isso acontece a passos lentos”, explica a especialista em finanças da FGV. “A empresa está conseguindo bancar o custo, a despesa financeira do endividamento? Consegue renegociar as dívidas, ou tem alguma que vence no curto prazo? São aspectos importantes”.

Qualidade da gestão e questões ESG (Ambiental, Social e Governança) também devem ser consideradas. Ainda que não haja impacto direto, pode ter consequências futuras sobre o fluxo de caixa e o preço das ações.

Entenda os cenários de competitividade

A competitividade de uma empresa é a sua capacidade de superar concorrentes no mercado. Participação percentual no setor, margem de lucro e custo de aquisição de clientes são algumas formas de medir este tipo de desempenho das companhias.

“Mas isso não afeta só as margens. Num mercado muito competitivo, você não consegue botar preço, você toma preço”, esclarece Yoshinaga. “Vai depender de margens mais apertadas, porque senão as pessoas vão comprar do concorrente”.

Mercados mais tranquilos também trazem pontos negativos: não haver competição pode indicar que são extremamente nichados ou que há pouco potencial de crescimento da empresa.

Tenha cuidado com ferramentas de inteligência artificial

A professora conta que, por ser uma máquina, e não uma interface humana, a inteligência artificial (IA) parece ser mais racional, o que não é necessariamente verdade. 

“Ela foi treinada de uma forma que envolveu o olhar e uma série de decisões feitas por humanos. Não é livre de erros nem de vieses, o que pode ser bastante complicado”, defende Yoshinaga.

A especialista ainda destaca outros problemas conhecidos, como “alucinações” e acesso a históricos limitados de informação, que nem sempre representam a realidade.

A especialista destacou que esta possibilidade de erro é o que faz com que as empresas de inteligência artificial coloquem ressalvas para não serem responsabilizadas por um conselho financeiro que fez com que o usuário perdesse tudo, por exemplo.

Frases como “não sou consultor de investimento”, ou “estes sistemas de inteligência artificial podem conter erros”.

Assim, as estratégias e dicas com base em IA devem ser revisadas e checadas antes de colocadas em prática.

Quais os princípios básicos para investir em ações?

Na prática, investir em ações significa comprar e vender pequenas frações de empresas de capital aberto. Segundo dados da Anbima, em 2025 as aplicações representaram um valor de R$ 807,3 bilhões, com crescimento de 9,7% em relação a dezembro de 2024.

Por ser um investimento de renda variável indicado para perfis mais arrojados de investidores, entender as suas bases é essencial para garantir que o seu patrimônio esteja protegido.

“Você não é todo mundo. Então não é porque estão todos investindo que isso funciona para você”, explica Claudia Emiko Yoshinaga. “Investir em ações não serve se não estiver preparado psicologicamente, emocionalmente e financeiramente para eventualmente perder tudo”.

A professora conta que ações não são o tipo de investimento no qual deve-se colocar toda a riqueza, já que erros podem gerar a perda de um patrimônio relevante, que faz falta. Ou seja, ter parte da sua carteira de investimentos em renda fixa e em opções de alta liquidez te protegem de emergências e de crises do mercado.

Além disso, principalmente para quem está começando, investir individualmente pode ser uma armadilha: “mesmo os profissionais, analistas de mercado, gestores, que vivem de fazer isso, nem sempre acertam”, alerta Yoshinaga.

A especialista em finanças indica fazer testes, a partir de um portfólio com alocações fictícias, para observar como as ações performam antes de colocar dinheiro de verdade. 

“Outra dica seria tentar identificar fundos de ações, gestores que se propõem a serem ativos”, inclui Yoshinaga. “Veja a performance deles, o histórico, qual a proposta e a tese de investimento deles. Assim você não depende de fazer um estudo para fazer a seleção das empresas”.

Outra questão, associada ao efeito manada, é o princípio básico para ficar rico com as ações. “Eu tinha um professor que falava que basta comprar na baixa e vender na alta. Parece óbvio, mas há várias questões por trás disso”, detalha Yoshinaga.

Um exemplo é quando uma ação está sendo muito falada. A professora esclarece que, quando isso acontece, é porque ela já passou da fase de comprar na baixa de preço.

“Da mesma forma, quando há uma desvalorização muito forte dos ativos”, acrescenta. “Por exemplo, durante a Covid, muita gente via que os preços estavam caindo muito e, por acharem que não aguentariam, vendiam na pior hora possível, quando já estavam na baixa”.

A professora ressalta que não existe nenhuma receita milagrosa para avaliar as ações, ainda que existam métodos para escolher entre uma e outra, e que seguir modismos é a pior receita.

Como investir em empresas na bolsa de valores?

Para começar a investirabra uma conta em uma instituição financeira autorizada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para intermediar aplicações na bolsa de valores.

A partir daí, avalie o seu perfil, considerando aspectos como quanto pretende investir por mês, sua tolerância à volatilidade e qual a estratégia ideal para os seus objetivos financeiros.

Há tanto a opção de comprar e vender ações diretamente, no caso de investidores mais experientes, quanto de aplicar em fundos de ações que fazem a gestão para você. 

As instituições financeiras costumam disponibilizar plataformas completas de investimento, como é o caso do Inter, com o Home Broker.