Mercado eleva expectativa de inflação pela 9ª semana seguida
Estimativas para o indicador aumentam na medida em que a crise no mercado de combustíveis persiste

O mercado financeiro elevou a expectativa para o fechamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,89% para 4,91%, segundo dados divulgados pelo Boletim Focus do Banco Central nesta segunda-feira (11). É a nona semana seguida que os economistas projetam uma aceleração da inflação oficial do país em 2026.
As estimativas para o indicador aumentam na medida em que a crise no mercado de combustíveis, causada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, e seus reflexos no golfo pérsico, persiste. Por outro lado, o fechamento do dólar caiu de R$ 5,25 na última semana para R$ 5,20 no novo levantamento.
Nesse último caso, o mercado avalia que o cenário segue favorável para a valorização do real, uma vez que a moeda é sensível ao preço do barril do petróleo, que já ultrapassa os US$ 100. Na última semana, a equipe de macroeconomia do do Banco Inter chegou a reduzir a projeção para o câmbio de R$ 5,40 para R$ 5,10.
O estudo considera uma alta na balança comercial para além dos US$ 80 bilhões com as maiores exportações de soja e petróleo e importações mais contidas pela demanda menos aquecida. “O dólar médio mais baixo pode contribuir para evitar maiores repasses de custos impactados pela alta do preço do petróleo”, diz o relatório.
Taxa de juros segue estável
Ainda de acordo com o Boletim Focus, a taxa básica de juros deve fechar o ano a 13%. É a terceira semana seguida que os economistas mantêm a projeção para a Selic estável. Nesse caso, os especialistas seguem apostando na continuidade do ciclo de cortes, mesmo com uma pressão inflacionária maior.
No final de abril, o Comitê de Política Monetária promoveu o segundo corte de 0,25 ponto percentual (p.p) na taxa, reduzindo de 14,75% para 14,50% ao ano. Os diretores do BC avaliaram que as projeções sobre a inflação ainda são incertas, uma vez que falta clareza sobre a duração da guerra no Oriente Médio e seus efeitos na economia do país.
“O Comitê julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade”, disse.
Boletim Focus 2026 - 11/5
- IPCA - 4,91%
- PIB - 1,85%
- Dólar - R$ 5,20
- Selic - 13%
Boletim Focus 2027 - 11/5
- IPCA - 4,00%
- PIB - 1,76%
- Dólar - R$ 5,30
- Selic - 11,25%
Boletim Focus 2028 - 11/5
- IPCA - 3,64%
- PIB - 2,00%
- Dólar - 5,35%
- Selic - 10,00%
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



