Macron confirma que França votará contra o acordo entre União Europeia e Mercosul
Oposição francesa ao tratado de livre comércio não deve impedir que ele seja assinado na segunda-feira (12)

O presidente da França, Emmanuel Macron, disse nesta quinta-feira (8) que o país vai votar contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Segundo ele, há uma “rejeição política unânime” ao tratado de livre comércio entre os dois blocos, que pode ser votado pelo Conselho Europeu nesta sexta-feira (9).
A oposição francesa já era esperada, uma vez que o governo sofre com forte pressão do agronegócio contra o tratado. Os ruralistas locais alegam que podem ser prejudicados com uma possível invasão de produtos da América do Sul, que terão tarifas reduzidas e outras vantagens aduaneiras.
- MEIs têm até o fim de janeiro para regularizarem dívidas com descontos
- Clínicas para exames de CNH relatam dificuldades com mudanças no processo de habilitação
Produtores fizeram uma série de protestos nesta quinta, com bloqueio de ruas em Paris, incluindo na tradicional avenida Champs-Élysées, próximo ao Arco do Triunfo. Apesar da oposição da França e alguns outros países, a expectativa é que o acordo seja aprovado no Conselho Europeu e seja assinado na segunda-feira (12).
“A fase de assinatura do acordo não é o fim da história. Continuarei lutando pela implementação plena e concreta dos compromissos assumidos pela Comissão Europeia e para proteger nossos agricultores", disse Macron.
Mais cedo, o vice-primeiro-ministro da Irlanda, Simon Harris, afirmou que o país também vai votar contra o acordo. Além dos dois países, o tratado tem oposição confirmada da Hungria e da Polônia. O “fiel da balança” deve ser a Itália, que em dezembro sinalizou rejeição à assinatura do tratado, mas agora deve votar favorável com a implementação de novas salvaguardas ao agro.
O que prevê o acordo Mercosul-UE?
Apenas uma parcela reduzida dos bens negociados entre os dois blocos estão sujeitos a alíquotas ou tratamentos não tarifários. Para o setor automotivo, por exemplo, estão em negociação condições especiais para veículos elétricos, movidos a hidrogênio e novas tecnologias em um período de 18, 25 e 30 anos.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



