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IPCA negativo aumenta pressão por novo corte da Selic

Inflação recuou 0,32% em agosto e fortaleceu apostas de redução de 0,25 ponto percentual pelo Copom na próxima semana

PorBrasília
Sede do Banco Central, em Brasília
Sede do Banco Central, em Brasília • EVARISTO SA / AFP

A deflação registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em agosto reforçou as apostas do mercado financeiro em um novo corte da taxa básica de juros, a Selic. O indicador recuou 0,32%, na maior queda para um mês de agosto desde 2022 e também abaixo das projeções dos analistas.

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses desacelerou de 4,44% para 4,22%, ficando abaixo do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5%. A Selic está atualmente em 14% ao ano.

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central está marcada para os dias 15 e 16 de setembro. A expectativa predominante é de uma redução de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic para 13,75% ao ano. Se confirmado, seria o quinto corte consecutivo.

Apesar de favorável para a inflação, o resultado de agosto exige cautela. O principal fator de baixa foi a conta de energia elétrica, que caiu 7,63% devido ao bônus concedido aos consumidores a partir do saldo positivo da conta de comercialização da usina de Itaipu.

O grupo Habitação registrou queda de 1,87% e respondeu sozinho por impacto negativo de 0,29 ponto percentual no IPCA. O benefício, porém, foi pontual e não deve se repetir na mesma intensidade em setembro.

Outros grupos também ajudaram a reduzir a inflação. Alimentação e bebidas tiveram queda de 0,34%, enquanto Transportes recuaram 0,86%. As passagens aéreas ficaram 13,17% mais baratas no mês, e os combustíveis também apresentaram redução.

Mesmo com a desaceleração do índice geral, o Banco Central ainda enfrenta um cenário de inflação de serviços considerada elevada. Em agosto, o grupo avançou 0,03%, e os serviços subjacentes continuam acumulando alta próxima de 5% em 12 meses.

Analistas também apontam riscos para os próximos meses, entre eles os efeitos do El Niño, possíveis pressões sobre alimentos e o comportamento dos preços do petróleo no mercado internacional. Por isso, a deflação de agosto aumenta a confiança em um corte na próxima reunião, mas não significa necessariamente uma aceleração do ciclo de redução dos juros.

O mercado financeiro projeta que a Selic continue em trajetória de queda até o fim do ano. As estimativas apontam para cortes graduais nas próximas reuniões, embora o ritmo dependa da evolução da inflação, da atividade econômica e das condições externas.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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