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IA: correção reacende debate sobre possível 'bolha', diz especialista

Após forte valorização, empresas de tecnologia e semicondutores enfrentam queda expressiva e mercado busca resultados concretos

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Uso de inteligência artificial no trabalho
Mercado teme bolha de IA • Dragos Condrea/Magnific

As empresas de inteligência artificial (IA) e semicondutores, que lideraram a valorização nas bolsas globais nos últimos anos, enfrentam agora um período de forte correção de preços. A queda expressiva desses fabricantes reacendeu entre os investidores o debate sobre uma possível bolha no setor de inteligência artificial.

Os movimentos mais recentes do mercado indicam que o entusiasmo inicial deu lugar a uma postura mais cautelosa. Companhias que impulsionaram a corrida pela IA registraram perdas significativas. A bolsa da Coreia do Sul, fortemente concentrada em fabricantes de semicondutores, acumulou uma queda de cerca de 43% em apenas um mês.

No mesmo período, o SMH, principal ETF (Exchange Traded Fund) global do setor de semicondutores, recuou aproximadamente 25%. Já a Micron, uma das empresas que ganhou destaque com o avanço da IA, perdeu cerca de 43% de seu valor de mercado.

Para Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e apresentador do Resenha do Dinheiro, esse movimento reflete uma correção natural após um período de forte euforia.

“As empresas passaram a investir pesado, mas o que sobe muito rápido também pode cair muito rápido. Houve muita euforia, ganância e especulação. Agora, o mercado quer saber quem realmente será capaz de transformar tudo isso em lucro”, afirma Pascowitch.

Apesar da queda recente, uma correção de preços não significa necessariamente que a inteligência artificial tenha perdido relevância.

Pascowitch explica que o conceito de bolha está relacionado ao valor atribuído aos ativos e não à qualidade da tecnologia em si.

“Bolha diz respeito ao preço de um ativo, não ao fundamento. O setor imobiliário americano viveu uma bolha em 2008, mas isso não significa que imóveis deixaram de ter valor. O mesmo vale para qualquer ativo. Quando falamos em bolha, estamos discutindo se o preço ficou exagerado, não se aquela tecnologia ou empresa deixou de fazer sentido”, esclarece o especialista.

É possível identificar uma bolha?

Ele ressalta ainda que identificar uma bolha enquanto ela está em formação é praticamente impossível. “Na maioria das vezes, só conseguimos afirmar que havia uma bolha depois que ela estoura”.

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Segundo Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, parte da queda pode representar uma oportunidade interessante para investidores com perfil mais arrojado.

O mercado sul-coreano sofreu um movimento intenso justamente por ser altamente concentrado em poucas empresas ligadas à cadeia de semicondutores, além da desmontagem de posições alavancadas que ampliaram a pressão sobre os preços.

“A bolsa da Coreia subiu muito e também caiu muito rápido. Houve um exagero tanto na alta quanto na queda. Para quem tem apetite ao risco e pensa no longo prazo, pode surgir uma oportunidade interessante”, avalia Fontes.

Mesmo com o aumento da concorrência de empresas chinesas, Marilia Fontes acredita que a demanda estrutural por semicondutores continuará elevada.

“Os modelos de inteligência artificial ainda estão no começo da adoção. A participação da população que utiliza essas ferramentas ainda é pequena, então a demanda por chips, memória e infraestrutura tende a continuar crescendo”, acrescenta ela.

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