Governo pode zerar imposto da querosene de aviação para evitar alta nas passagens
Reajuste de 55% no QAV pode impactar rotas regionais e resultar em um aumento de até 20% no preço das passagens

O governo federal estuda a possibilidade de zerar a cobrança de PIS e Cofins da Querosene de Aviação (QAV), combustível usado pelas aeronaves e que foi reajustado pela Petrobras em 55% na última quarta-feira (1º). A medida tem como objetivo evitar uma alta no preço das passagens aéreas, uma vez que a querosene representa 45% do custo operacional das empresas do setor.
A informação é da CNN Brasil. A expectativa do setor é que o reajuste do QAV, sem medidas compensatórias, pode resultar em uma alta de até 20% no preço das passagens e afetar a operação de rotas regionais.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o reajuste pode ter “consequências severas para o setor”. Na prática, os preços são alterados todo mês, mas dessa vez ocorre em meio a instabilidade provocada pela guerra no Oriente Médio.
A associação ainda explica que, embora 80% do QAV consumido no país seja produzido localmente, a precificação acompanha a paridade internacional. Esse fator intensifica os efeitos das oscilações do preço do barril de petróleo para o mercado doméstico, ampliando os impactos de choques externos sobre os custos das companhias.
“Nesse sentido, a Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações”, afirma a associação em nota.
Petrobras vai parcelar reajuste
Em comunicado, a Petrobras afirmou que deve parcelar o reajuste de abril. Distribuidoras que atendem à aviação comercial poderão optar por pagar apenas 18% de aumento e parcelar em até seis vezes a diferença, a partir de julho. De acordo com a estatal, a medida visa preservar a demanda e mitigar os eventos no setor de aviação.
“Esse instrumento contribui com a saúde financeira dos clientes da companhia ao mesmo tempo em que preserva neutralidade financeira para a Petrobras, considerando o cenário de forte elevação das cotações internacionais dos derivados de petróleo, intensificado por tensões geopolíticas recentes no Oriente Médio”, justificou a estatal.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



