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Dólar já caiu 9% em 2026, mas novas quedas ainda são incertas

Cessar-fogo na guerra do Oriente Médio diminuiu a aversão ao risco em mercados globais e enfraqueceu o dólar na última semana

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Moeda já caiu quase 9% em 2026 • Freepik

O dólar enfrenta forte desvalorização frente ao real em 2026, acumulando uma queda de quase 9% no início deste ano. A moeda norte-americana, que era negociada a R$ 5,4778 no início de janeiro, atingiu uma cotação de R$ 5,0063 nessa sexta-feira (10), com investidores buscando refúgio diante das incertezas em relação à economia dos Estados Unidos e a condução da guerra no Oriente Médio.

O frágil acordo de cessar-fogo entre EUA, Israel e Irã repercutiu bem no mercado brasileiro desde o anúncio da última terça-feira (7). Em três dias, o dólar saiu de R$ 5,15 e recuou 3%, impulsionado pela reação positiva do tratado.

Segundo o professor de finanças da Skema Business School, Thiago Almeida, o cessar-fogo diminui momentaneamente a aversão ao risco nos mercados globais, o que tende a enfraquecer o dólar frente a outras moedas. Além disso, ele cita um movimento estrutural de diversificação das reservas internacionais com diversos países reduzindo a dependência do dólar e ampliando posições em outras moedas.

“No caso do Brasil, o real também se beneficia de fatores internos, como a entrada de capital estrangeiro, expectativas ligadas ao crescimento econômico e perspectivas de avanços em acordos comerciais importantes, como o Mercosul-União Europeia, o que aumenta a confiança no país e fortalece a moeda”, explica o especialista.

Almeida ainda alerta que o cenário segue bastante instável, e quedas maiores dependeriam de um conjunto consistente e prolongado de fatores positivos no Brasil. A dúvida agora é qual seria limite para a queda do câmbio e se o piso de R$ 4,00 seria alcançável.

Para o especialista, esse cenário depende de um ambiente forte de entrada de capital estrangeiro, crescimento econômico, melhora fiscal e avanços concretos em acordos internacionais. “Mesmo com o movimento recente de apreciação do real, o câmbio é um preço extremamente sensível a choques externos e internos. Por isso, eu vejo mais como provável uma oscilação dentro de uma faixa de equilíbrio do que uma trajetória contínua de queda”, explicou.

Mercado ainda espera uma alta

De acordo com o Boletim Focus do Banco Central na última segunda-feira (6), o mercado financeiro ainda espera um câmbio fechando o ano em R$ 5,40. Apesar da melhora recente no cenário, o mercado ainda projeta riscos relevantes que podem pressionar o câmbio.

Nesse caso, o aumento no preço dos combustíveis pressiona a inflação, que somente em março avançou 0,88% com um impacto relevante da alta de 4% na gasolina. O índice de preços também tende a impactar as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) e a taxa básica de juros, indicadores que podem levar a desvalorização do real.

“Por isso, apesar do movimento recente de queda, ainda existe bastante incerteza no cenário, e tanto fatores globais quanto domésticos podem reverter essa tendência ao longo dos próximos meses”, completou Thiago Almeida.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.