Itatiaia

Compra de 10 itens básicos de supermercado pode custar até R$ 152

Todo fim de mês, a Itatiaia vai aos supermercados para medir o poder de compra do brasileiro

Por e 
Imagem ilustrativa - Supermercado
Imagem ilustrativa - Supermercado • Tânia Rêgo/ Itatiaia

Pesquisas recentes revelam que a tradicional compra do mês já consome 52% do salário mínimo do trabalhador brasileiro (R$ 1.621), segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com base no custo médio da cesta básica.

Os números revelam que o brasileiro precisa de cerca de 105 horas de trabalho no mês para arcar com esse custo. Além disso, os dados apontam que o salário de mais de 50% dos brasileiros chega ao fim antes do término do mês.

Para acompanhar de perto essa realidade, a equipe da Itatiaia foi às compras e selecionou 10 itens básicos essenciais para qualquer residência, comparando os valores mês a mês e conversando com o consumidor. Veja a lista:

  • Um pacote de arroz de 5 kg tipo 1;
  • Um pacote de feijão carioca de 1 kg;
  • 1/2 quilo de café tradicional;
  • Um litro de óleo de soja
  • Um quilo de peito de frango;
  • Um quilo de acém;
  • Um litro de leite integral;
  • Um pacote de açúcar de 5 kg;
  • Um pacote de papel higiênico com oito rolos;
  • E um detergente líquido.

O valor final dessa compra foi de R$ 152.

Nas ruas, os consumidores confirmam o peso da inflação no bolso. O motorista Paulo Edson Soares Cardoso, de 51 anos, relatou o susto com os preços ao pagar R$ 68 por apenas três sacolas de compras.

"O que mais me assustou foi o feijão, né? Porque a gente não consegue comer sem o feijão, e ele está um pouco caro. Subiu mesmo. A carne também estava mais baixa, e agora o preço está mais alto”, disse.

A dona de casa Carla Barros, de 60 anos, também lamenta a perda do poder de compra, destacando que a alta atinge diversos estabelecimentos. “Não só nos supermercados, mas sacolões, padarias. Para todo o lado, tudo está muito caro. Ovos, por exemplo, já estão no preço que a gente comprava carne. O dinheiro não dá para sustentar o mês todo”, declarou.

Até mesmo quem lida diretamente com os cálculos sente o impacto no orçamento doméstico. O matemático Marcelo Pierre, de 54 anos, observa que o dinheiro tem sumido rapidamente, sentindo o efeito principalmente no café e no sabão em pó. “O dinheiro não tá valendo nada. Eu tenho feito compras ultimamente, eu venho com R$ 200 e volto sem ele faltando muita coisa”, afirmou.

Peso do combustível no bolso dos motoristas

Além dos alimentos, o custo para manter o tanque do carro cheio tem pesado significativamente no orçamento dos motoristas. Entre taxistas, motoristas de aplicativo e profissionais autônomos, o valor médio para abastecer um veículo com gasolina pode variar entre R$ 200 e R$ 250 em um tanque de 40 litros.

Segundo a empresária Thaís Marcelos, que gastou R$ 216 para encher um tanque de 35 litros, o combustível representa cerca de 20% do seu faturamento. Ela relembra que os preços subiram recentemente. "Eu já paguei mais barato. Mês passado, por exemplo, quando eu enchi era R$ 170”, disse.

O instrutor de autoescola Geraldo Costa afirma que gasta quase R$ 800 por mês com combustível, o que representa cerca de 30% do seu faturamento. “Com gasolina e álcool, dá R$ 190 toda vez que eu abasteço”, conta o motorista.

O taxista Daniel Abreu explica que opta pela gasolina pelo rendimento do veículo, mas ressalta que os valores estão muito altos. No posto, ele gastou R$ 170 para completar meio tanque. “Agora, está puxado encher com a gasolina, aumentou demais”, declarou.

Por

Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

Belo Horizonte