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Com guerra no Oriente Médio, BC põe dúvida sobre novos cortes dos juros

Comitê de Política Monetária do Banco Central indicou que conflito aumenta incerteza e impõe necessidade de juros mais restritivos

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Prédio do Banco Central em Brasília • Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central indicou incerteza com o ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic, iniciado na última reunião do colegiado, realizada em 18 de março.

De acordo com a ata do encontro, divulgada nesta terça-feira (24), o conflito no Oriente Médio “elevou consideravelmente” a incerteza sobre o cenário externo, assim como as percepções sobre a política monetária dos Estados Unidos, o que pode impactar a inflação do Brasil.

“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", ponderou o Copom.

Com o ambiente internacional mais instável, os diretores do Banco Central entenderam que há necessidade de manter a política monetária mais restritiva, com um ciclo de cortes menor, do que o previsto antes do início da guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã.

“A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado", destaca a ata.

O documento também evita dar sinalizações sobre as próximas decisões do colegiado em relação à Selic, ao contrário da reunião de janeiro.

"Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises", informou o comitê.

A próxima reunião do Copom acontecerá nos dias 28 e 29 de abril.

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Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.