Oficina gratuita neste sábado (3) ensina sobre jogo da memória pedagógico

Jogo ‘Adinkra-Tri’ utiliza símbolos africanos para promover o ensino antirracista, a cooperação e o resgate da identidade

De acordo com Sara Negritri, os Adinkra são um antigo sistema africano de escrita, são símbolos visuais, originários do povo Akan, de Gana

O que aconteceria se a vitória em um jogo não dependesse apenas de quem acumula mais cartas, mas de quem demonstra mais generosidade e espírito comunitário? Esse é o conceito do Adinkra-Tri: Jogo da Memória dos Ancestrais, ferramenta pedagógica que será o centro de uma oficina gratuita realizada pela pesquisadora e desenvolvedora Sara Negritri neste sábado (3), às 15h, no Teatro de Arena do Parque Lagoa do Nado.

O jogo utiliza o sistema de escrita Adinkra, originário do povo Akan, de Gana. São símbolos visuais que representam conceitos filosóficos, morais e espirituais. “Eles são usados há séculos como uma linguagem gráfica de sabedoria, memória e identidade”, explica Sara Negritri, que também é cineasta e mestranda na UFMG.

Mais que memória: um exercício de valores

Diferente de um jogo de memória tradicional, o Adinkra-Tri introduz dinâmicas que subvertem a competitividade excessiva. Com 52 cartas ilustradas, o jogo premia o “Sábio da Vez” — aquele que acerta dois pares seguidos — mas também concede pontos extras para quem escolhe doar sua jogada, incentivando o autocontrole e a cooperação.

O material conta ainda com suporte tecnológico: cada carta possui um QR Code que direciona para um site onde é possível ouvir a pronúncia correta dos símbolos na voz de um ganense nato. “O jogo contribui para combater estereótipos sobre a cultura africana e resgatar memórias que foram apagadas”, destaca a desenvolvedora.

Sucesso nas salas de aula

Lançado em novembro de 2025, o Adinkra-Tri já é utilizado por educadores das redes pública e privada. Eliene Sousa Paulino, professora do Centro Pedagógico da UFMG, relata o engajamento dos alunos do 9º ano: "É um material muito bem consolidado e ilustrado. Os estudantes ficaram motivados com as regras diferentes e a complexidade do jogo”.

Para o professor de Química Marcos Felipe Reis, da Escola Estadual Dr. Simão Tamm Bias Fortes, o destaque reside na aplicação prática dos valores. “Gostei muito da ideia dos pontos de cooperação. Os símbolos Adinkra estão presentes no nosso dia a dia e muitas vezes nem nos dávamos conta disso”, afirma.

Benefícios e indicação

Indicado para pessoas a partir dos 7 anos, o jogo estimula desde a coordenação motora fina e percepção visual até o fortalecimento da memória de longo prazo e o pensamento simbólico. No campo emocional, a atividade busca fortalecer o sentimento de pertencimento e o orgulho das origens afrodescendentes.

A oficina deste sábado é aberta ao público.

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SERVIÇO: Oficina do Jogo “Adinkra-Tri: Jogo da Memória dos Ancestrais”

  • Data: sábado, 03 de janeiro
  • Horário: 15h
  • Local: Teatro de Arena do Parque Lagoa do Nado
  • Endereço: Rua Ministro Hermenegildo de Barros, 904, bairro Itapoã, Belo Horizonte
  • Entrada: Gratuita
Giovanna Damião é jornalista da televisão, digital e do rádio. Desde 2020 como social media e redatora na televisão e, mais recentemente, atuando como apresentadora e repórter da editoria de cultura. Com versatilidade no jornalismo, caminha pela música, eventos, esportes e entretenimento.

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