Evento por diversidade religiosa atrai pessoas de todas as idades em BH
Evento na praça Floriano Peixoto reúne diversas atrações culturais em ação pelo fim da intolerância religiosa

O ato “Zumbi e Dandara Vivem em Nós” deve tomar conta da Praça Floriano Peixoto, no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte, com uma série de atrações culturais como o Bloco Samba D’Ouro e a sambista Dona Eliza, além de programação infantil, a partir das 15h deste sábado (21).
O evento, organizado pela Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO) com a Casa Pai Francisco de Angola e Mãe Maria Conga, celebra o Dia Internacional de Luta pela Luta pela Eliminação da Discriminação Racial e em prol do Combate ao Racismo Religioso.
Este é o quarto ano consecutivo que o evento ocorre em Belo Horizonte e busca conscientizar acerca da importância de proteger a herança cultural, a ancestralidade e as nações do Candomblé, com promoção da tolerância e respeito à diversidade religiosa.
Para o Pai Ricardo, zelador da CCPJO, este “é um dia para dizer à sociedade que os povos de matriz africana são a base da identidade do país. Um dia para combater o racismo e o racismo religioso. Por isso é tão importante expandir o entendimento desta data. Não é só mais um dia para celebrar, mas também para ocupar, para tomar posse, reivindicar direitos e denunciar”.
Mãe Ana Maria, zeladora da Casa Pai Francisco de Angola e Mãe Maria Conga, complementa que “é um ato pelo fim da intolerância religiosa, pelo fim do racismo com nossas crianças nas escolas, pelo fim do feminicídio de nossas mulheres e adolescentes, pelo fim do encarceramento dos nossos jovens e homens negros. Queremos mostrar à cidade que a população negra traz a existência a riqueza da diversidade cultural”.
Além do racismo, o feminicídio também é pauta do evento. “A maioria das casas de matriz africana que são atacadas, tem as matriarcas na direção. Em BH temos os casos envolvendo a Mãe Gilda, Cailane, Bernadette que foi assassinada no Quilombo, dentre outras”, afirma o Pai Ricardo. “Há um ataque sistemático às mulheres e isso não pode continuar”.
Segundo a Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (IPEC), mais da metade (51%) da população brasileira já presenciou alguma situação de racismo e 81% dos brasileiros acreditam que somos um país racista. Dados da Fundação Cultural Palmares também apontam que a população negra, é a maior vítima de homicídios, representando 77,9% dos casos.
Os processos criminais por racismo no Brasil atingiram um número recorde em 2025, com mais de 8.500 novas ações registradas. Este número representa um salto considerável em comparação com o período anterior: nos 10 primeiros meses de 2024, foram contabilizados 4.205 novos processos.
O Brasil registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, conforme o canal Disque 100 do Ministério dos Direitos. Minas Gerais, com 321 denúncias, foi o 3° estado com mais registros.
Serviço
4º ato 'Zumbi e Dandara Vivem em Nós'
- Data: 21 de março, sábado
- Horário: a partir das 15h
- Local: Praça Floriano Peixoto – Santa Efigênia – Belo Horizonte/MG
Programação:
- 15h – Atração infantil: Bicho Folha convida Voa Andorinha
- 15h às 17h15 - Prosa de Saberes Tradicionais - Coletivo Minhas Plantas
- 17h15 - Ala de Berimbaus da Floresta & Grupo Candeia de Capoeira - Coordenação: Mestra Alcione
- 18h – Ritualística
- 18h30 - Fala Institucional
- 19h30 – Bloco Samba D’Ouro
- 20h40 - Cinara Gomes convida Dona Eliza
- 22h – Encerramento
- Intervalos com DJ Black Josie
Entrada gratuita
(Sob supervisão de Alex Araújo)
Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.



