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Itatiaia

Dia do Orgulho: Para acolher comunidade LBT+, empresárias criam espaços de afeto e cultura

Espaços em Belo Horizonte buscam garantir representatividade e inclusão para mulheres da comunidade e pessoas trans

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Divulgação Yanã

“A gente precisa de um bar que nos contemple.” Foi a partir dessa inquietação, compartilhada com a namorada, que Tais Rocha decidiu abrir o bar Dona Ninguém, voltado para mulheres Lésbicas, Bissexuais e Trans (LBT+). Ao lado da companheira e sócia, Carolina Mourad, ela inaugurou o estabelecimento no bairro Santa Tereza, na Região Leste de Belo Horizonte, há nove meses. 

À Itatiaia, Tais contou que sentia uma frustração por existirem poucos lugares na capital mineira que contemplassem mulheres da comunidade LBT+, tanto como clientes quanto como trabalhadoras, já que ela está no ramo de bares há mais de uma década. Para Tais, essa falta era sentida mesmo em meio à comunidade. Ela ressalta que os estabelecimentos LGBTQIAPN+ da capital mineira ainda são feitos por e para homens.

Bar fica localizado no bairro Santa Tereza, em BH • Divulgação Dona Ninguém
Bar fica localizado no bairro Santa Tereza, em BH • Divulgação Dona Ninguém

“A gente se sentia como convidadas, mas queríamos que as mulheres se sentissem como anfitriãs”, contou Tais. Foi a partir dessa sensação que surgiu a ideia de fazer um bar com jeito de casa, onde mulheres LBT+ possam ser elas mesmas, demonstrar afeto entre si e existir “sem ter que pisar em ovos”, como descreve a co-fundadora. 

O Dona Ninguém é um ambiente acolhedor, pensado por e para mulheres. O nome revela a ideia principal: o estabelecimento não é de uma mulher só, é de todas. O cardápio, assinado por Carolina Mourad, também traz a sensação de conforto e comida afetiva. O bar também recebe eventos voltados para a comunidade LBT+. 

Segundo Tais, o Dona Ninguém foi bem recebido, inclusive pelos moradores da região, que relatam que a Rua Hermilo Alves ficou mais movimentada e segura. 

Espaço cultural

O espaço cultural Yanã, localizado no bairro Floresta e fundado em 2019, também é voltado para a comunidade LBT+. Para Carol Pacheco, fundadora do estabelecimento ao lado de Ana Luiza Gonçalves, o Yanã é importante para trazer a sensação de representatividade, pertencimento e segurança. 

“Acho que hoje em dia, pensando em BH de uma forma cultural, tem muita diversidade, a gente consegue transitar em vários lugares. Temos uma cidade rica de eventos de rua, mas ainda faltam lugares acolhedores, onde você sabe que vai chegar e não vai viver nenhum tipo de violência, onde as pessoas vão saber lidar com a sua existência de forma natural”, afirmou Carol. Ela completa: “O propósito é ser um espaço acolhedor e uma extensão da nossa existência”. 

O Yanã foi criado em 2019 • Divulgação Yanã
O Yanã foi criado em 2019 • Divulgação Yanã

Além disso, a co-fundadora do Yanã ressalta a importância de um espaço para fomentar a arte produzida por e pela comunidade. Antes, o estabelecimento era um bar, mas se tornou um espaço cultural. Atualmente, ocorrem no Yanã atividades como aulas de pintura,  desenho e danças latinas, yoga e lançamentos de livros.

O espaço também tem eventos voltados exclusivamente para a comunidade LBT+, como aulas de forró e uma feira mensal. O Yanã também serve almoço de terça a sexta e funciona como café e coworking. 

Empregabilidade LBT 

Visando a empregabilidade e geração de renda para mulheres lésbicas, bissexuais, trans e travestis em situação de vulnerabilidade social, a Prefeitura de Belo Horizonte criou o Capacita LBT-BH. A medida vai garantir apoio financeiro e psicossocial a, inicialmente, 150 mulheres, conforme explica Caio Pedra, diretor de Políticas para a População LGBT da PBH. 

De acordo com o diretor, no Centro de Referência LGBT de Belo Horizonte (CRLGBT/BH), especializado no atendimento a pessoas que sofrem LGBTfobia e socialmente vulneráveis, mulheres são a maioria. Dados apontam que, dos mais de mil atendimentos realizados no ano passado, 55% foram a mulheres trans e travestis. 

O Executivo municipal informa que o projeto não criará cursos próprios, mas vai encaminhar as participantes para cursos gratuitos já existentes, além de programas municipais e instituições parceiras. “Um dos diferenciais do projeto é o acompanhamento contínuo, com atendimento psicológico individual, oficinas socioeducativas, fortalecimento da autoestima, preparação para entrevistas e apoio pós-contratação por até seis meses”, explica a PBH. 

Para serem contempladas pelo Capacita LBT-BH, mulheres serão encaminhadas pelo Centro de Referência LGBT e por meio de uma Organização da Sociedade Civil (OSC), ainda a ser definida. O projeto vai ser realizado com um recurso do Ministério Público do Trabalho. 

Serviço 

Dona Ninguém:

  • Endereço: Rua Hermilo Alves, 142 - Santa Tereza

Yanã Espaço Cultural:

  • Endereço: Avenida Francisco Sales, 127 - Floresta

Centro de Referência LGBT de Belo Horizonte:

  • Endereço: Rua Curitiba, 481 - Centro

 

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Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.