De Tunga a Yayoi Kusama: a primeira e a mais nova galeria do Inhotim
Inhotim completa 20 anos com expansão de acervo e consolidação internacional

Em 2006, o cenário cultural brasileiro ganhava um de seus marcos mais importantes. Prestes a completar 20 anos de abertura oficial em outubro, o Instituto Inhotim se transformou em uma referência global em arte contemporânea e botânica.
A trajetória do museu a céu aberto, no entanto, começou anos antes. Em 2002, o espaço abria ao público o pavilhão da obra True Rouge, do escultor e performador Tunga. O prédio foi a primeira galeria permanente dedicada a um único artista dentro do complexo. A instalação, que reúne objetos de vidro e líquidos avermelhados em alusão à alquimia, fluidos e processos vitais, inaugurou o modelo do parque. No mesmo ano, surgiam as galerias Mata e Fonte, voltadas a exposições temporárias.
Da estrutura familiar ao marco histórico na cultura
O crescimento do museu transformou a dinâmica local e a própria gestão do acervo. De acordo com o gerente de Ateliê do Inhotim, Elton Damasceno, conhecido como Fubá, a instituição iniciou suas atividades com traços familiares, empregando moradores do entorno, e passou por um forte processo de profissionalização e expansão física nas últimas duas décadas.
Essa maturidade institucional culminou, em 2022, na consolidação jurídica do museu. Na ocasião, o fundador realizou a doação definitiva de 326 obras de arte e de toda a propriedade de 140 hectares para o Instituto. A transferência foi registrada como a maior doação privada individual direcionada à cultura na história do país.
As transformações também redefiniram a ocupação dos espaços e os projetos curatoriais. Segundo o curador Lucas Menezes, projetos emblemáticos, como o programa focado em Abdias Nascimento e no Museu de Arte Negra, expandiram-se e passaram a ocupar múltiplos pavilhões ao longo dos anos.
O fenômeno Yayoi Kusama e o novo perfil de público
A constante renovação do Inhotim ganhou um novo capítulo em julho de 2023, com a inauguração de sua 20ª galeria permanente. O espaço abriga duas instalações imersivas da artista japonesa Yayoi Kusama: I'm Here, But Nothing e Aftermath of Obliteration of Eternity.
Trabalhando com ilusões de ótica, luzes e espelhos, o pavilhão tornou-se rapidamente um dos pontos de maior visitação do complexo, atraindo o público jovem e estabelecendo um diálogo direto com as dinâmicas digitais e visuais contemporâneas.
Do vermelho marcante da estreia com Tunga às experiências imersivas de Kusama, o Inhotim celebra duas décadas de integração entre arquitetura, paisagismo e artes visuais.
Giovanna Damião é jornalista da televisão, digital e do rádio. Desde 2020 como social media e redatora na televisão e, mais recentemente, atuando como apresentadora e repórter da editoria de cultura. Com versatilidade no jornalismo, caminha pela música, eventos, esportes e entretenimento.
Ana Luiza Pereira é jornalista formada pela PUC Minas. Repórter multimídia na Itatiaia, possui experiência em rádio, televisão, portal e redes sociais. Atua na produção de conteúdo para as plataformas digitais e colabora com as editorias de Entretenimento e Esporte. Acumula passagens anteriores pela TV Horizonte, Rádio Inconfidência e Rede Minas de Televisão.




