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Sem amor, a fé é uma farsa

O Evangelho está cheio de situações em que Cristo alcança pessoas com seu olhar e com sua compaixão

Só se é cristão de verdade por sedução. Sim, o que marca o início da fé é o encantamento. Um cristão ou é atraído por Jesus ou nada feito. Sem crescer no amor a Cristo e, a partir dele, a todos a quem ele se doa (isto é, a irmã e o irmão, que é outro de mim), o culto, o rito, o louvor, a missa é uma grande farsa.

Engraçado, né? Pensar assim... A gente tem uma mania de desprezar o simples. Tropeçamos no pequeno. Nos perdemos no cisco.

É num olhar de amor que Cristo alcança seus discípulos. Ama Simão, André, Tiago e João. E, nesse amor, conhece seus desejos mais ocultos. Eles deixam o barco, os sonhos que tinham para segui-lo em águas mais profundas (Lc 5). Ama Mateus, na coletoria de impostos. Tão pobre cuja única riqueza eram seus bens. “O viu sentado”. O ama, o chama. Mateus, encantado, O Segue (Mt 9,9). Ama a mulher que O unge, na casa de Simão, e é por ela amado. E como o amor (aquele do detalhe!) não passa e marca a memória, Jesus diz que onde quer que seja proclamado o Evangelho, no mundo inteiro, seria mencionada a memória do que fez essa mulher (Mt 26, 6-13).

O Evangelho está cheio de situações em que Cristo alcança pessoas com seu olhar e com sua compaixão. E, também, da grande tragédia que é não se deixar alcançar por Sua Graça. De gente que se perdeu do amor de Cristo, do seu olhar (O jovem rico, os fariseus, Judas...).

Acontece que, com apego, não há espaço para relações. Todo encontro pressupõe empobrecimento. Não seria diferente com Cristo. Aliás, ele mesmo, de rico que era se fez pobre para nos enriquecer (2 Cor 8,9). Por isso, chama a amar. Esse amor que ao se entregar, nada precisa escolher! Ele é a condição e a garantia do discípulo. Basta ver, que mesmo após se negado por Pedro, podendo vir até ele com Suas acusações, com Sua decepção, o Ressuscitado, para renovar-lhe o dom da vocação, pergunta apenas sobre amor. “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Jo 20,15.

Pró-reitor de comunicação do Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade. Ordenado sacerdote em 14 de agosto de 2021, exerceu ministério no Santuário Arquidiocesano São Judas Tadeu, em Belo Horizonte.
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