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Saudades do Papa

Qual é a tua obra? Quando você não estiver no almoço de domingo, a família vai sentir saudade ou alívio?

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Barroso lamenta morte de papa Francisco: “Foi luz iluminando a humanidade“ | CNN Brasil
Papa Francisco • Créditos: CNN Brasil

Perguntas que o grande pensador Mário Sérgio Cortela faz em livros, palestras e conversas por esseBrasil afora. São simples, não exigem esforço nas repostas e dizem tudo do que somos, para onde vamos e o quanto importamos na vida dos outros.

Veja a morte de Francisco. No mundo inteiro, católicos vão sentir falta dele. No nosso Brasil, tão dividido, haverá quem o chame de comunista e outras coisas mais. Mas, ninguém pode negar seu trabalho pelos menos favorecidos, desde os tempos de periferia de Buenos Aires até o mais importante dos postos na hierarquia da igreja. Como sumo pontífice, defendeu as minorias, abençoou os gays, pediu insistentemente o fim da guerra e, na pandemia, pediu que salvassem primeiro as vidas e depois a economia.

Se fosse um homem pequeno, como argentino, poderia alimentar rixas sem sentido, bairrismos sem justificativa e, quem sabe, não viria ao Brasil. Foi um dos primeiros países que visitou, dois meses depois de eleito. E falou em português, com simpatia irradiante para milhões no Rio de Janeiro.

Francisco não inventou. Combateu privilégios, denunciou abusos sexuais dentro das sacristias, bradou contra o enriquecimento e, claro, contrariou muita gente conservadora e elitista dentro do Vaticano. Recusou morar em palácio, ficou perto dos bispos, enfrentou as consequências dos anos, a chegada da doença e, até um dia antes de partir, trabalhou, na Páscoa, no renascimento, no apreço à vida.

Assim como o Santo Papa João Paulo II, Francisco será lembrado como alguém que tentou aproximar a igreja dos fiéis, pediu – pelo amor de Deus – para que os padres não fizessem um sermão além de seis minutos, valorizou as mulheres e pediu que os humanos não substituam as crianças pelos pets.

E eu, que apertei a mão de Chico Xavier, viajei pela Itatiaia com João Paulo II, esperava abraçar Francisco. Não deu. Neste plano. Quem sabe um dia, se eu merecer, a gente se vê acima das nuvens.

Hasta la vista Jorge Mario Bergoglio.

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Antes de trabalhar no rádio, Eduardo Costa foi ascensorista e office-boy de hotel, contínuo, escriturário, caixa-executivo e procurador de banco. Formado em Jornalismo pelo UNI-BH, é pós-graduado em Valores Humanos pela Fundação Getúlio Vargas, possui o MBA Executivo na Ohio University, e é mestre em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Agora ele também está na grande rede!