Belo Horizonte
Itatiaia

Não é fácil ser prefeito

Responsabilidade é gigantesca, os problemas intermináveis e a torcida contra permanente

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Vista aérea da Avenida Afonso Pena, no Centro de BH
O plano de ter uma ciclovia na Afonso Pena faz parte de um projeto de requalificação do Centro de Belo Horizonte • Amir Martins/PBH

O cidadão que decide, pede voto e assume uma prefeitura é, acima de tudo, um forte. Afinal, a responsabilidade é gigantesca, os problemas intermináveis, a torcida contra permanente e toda hora aparece uma interpelação judicial e até ameaças. Agora mesmo há um risco monumental esperando por dezenas de administradores municipais.

Refiro-me à tragédia de Mariana. Depois de muitas conversas foi firmado um acordo de reparação, em 6 de novembro último, que pretende encerrar toda e qualquer discussão judicial no Brasil.

Qual é o grande dilema dos prefeitos? Assinar e começar a receber ou apostar em disputa judicial que pode levar tempo... Não há dúvidas de que as cortes europeias reconhecerão a obrigação de reparar; afinal, as empresas envolvidas já admitiram essa verdade, assinando o acordo. Só que, depois, virá a necessidade de cada município provar qual foi seu prejuízo. Imagina o quão complicado será isso. E a duração? E as novas disputas que virão, se Samarco, Vale e BHP não concordarem?

Mas não é só. Tão logo foi assinado o acordo, o presidente do STF, ministro Barroso, oficiou as cortes internacionais de que ele existe. Outro ministro do Supremo, Gilmar Mendes, já deu liminar proibindo contratação de escritórios internacionais para a causa. Onde os municípios que discordarem vão encontrar apoio se os ministérios públicos estaduais e Federal são signatários do acordo?

Fosse eu prefeito só deixaria de assinar se a Câmara Municipal e setores da sociedade concordassem comigo. Afinal, o mandato termina em quatro anos, mas os processos continuarão por muito tempo nas costas e no bolso dos acusados de improbidade administrativa.

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Antes de trabalhar no rádio, Eduardo Costa foi ascensorista e office-boy de hotel, contínuo, escriturário, caixa-executivo e procurador de banco. Formado em Jornalismo pelo UNI-BH, é pós-graduado em Valores Humanos pela Fundação Getúlio Vargas, possui o MBA Executivo na Ohio University, e é mestre em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Agora ele também está na grande rede!