Finitude
“Precisamos discutir seriamente a finitude”

Dia desses fui visitar um amigo numa dessas casas para idosos, que ganharam nomes pomposos, mas são asilos. A qualidade depende do quanto a família pode pagar; na essência, embora gestores e funcionários se esforcem honestamente com música, exercícios físicos e um sem número de atividades, a realidade se resume na palavra utilizada pelo interno quando pronunciei o famoso “Como vai?”. “Fudido”.
Não há o menor brilho no olhar. Nenhuma alegria, expectativa, raiva ou mesmo a indignação, exceto a do meu amigo, recém-chegado.
Mais tarde, trocando ideia com o amigo Humberto Lopes ouvi dele algo com o que concordo muito: “Precisamos discutir seriamente a finitude”. Sei das questões éticas, religiosas e que assuntos delicados não prosperam no Congresso Nacional. Podem perder voto. Não se trata de autorizar a eutanásia e fim de papo. É sobre criar condições para que uma pessoa adulta, com a consciência de que não há mais qualidade de vida, futuro, esperança, poder pedir a redução de medicamentos ou aparelhos, facilitar o caminho do descanso eterno.
A propósito, uma senhora de 50 anos declarou ao portal UOL esta semana que foi abusada pelo pai na infância. Agora, cuida dele, sem um pingo de amor. Por mais caridosa que seja a cuidadora alguém vai me convencer de que esse pai não gostaria de fechar o ciclo?
Antes de trabalhar no rádio, Eduardo Costa foi ascensorista e office-boy de hotel, contínuo, escriturário, caixa-executivo e procurador de banco. Formado em Jornalismo pelo UNI-BH, é pós-graduado em Valores Humanos pela Fundação Getúlio Vargas, possui o MBA Executivo na Ohio University, e é mestre em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Agora ele também está na grande rede!



