Itatiaia

Reforma Ministerial: Quais são as peças que Lula pode movimentar no tabuleiro?

As mudanças serão feitas de forma gradativa após as eleições para a presidência da Câmara e do Senado

Por
Esplanada dos Ministérios foi fechada pela Polícia Militar do DF
Esplanada dos Ministérios terá esquema reforçado de segurança • Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está avançando nas negociações da Reforma Ministerial que deve acontecer de forma gradativa, a partir da semana que vem. Muitas das trocas serão entre ministros palacianos que, inicialmente, eram todos petistas. O primeiro a ser substituído foi Paulo Pimenta, que deixou a Secretaria de Comunicação do Governo. A pasta foi assumida pelo publicitário de Lula, Sidônio Palmeira.

Secretaria-Geral

O ministro da Secretaria-Geral, Márcio Macêdo, responsável pela relação com os movimentos sociais e sindicatos, também será substituído. No lugar dele, deve assumir a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann. O mandato da deputada federal no partido vai até julho, mas existe a possibilidade de ela deixar o cargo que deve ser assumido pelo vice-presidente José Guimarães, atual líder do Governo na Câmara dos Deputados. Ele assumiria um mandato tampão de 4 meses.

Relações Institucionais

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, deve assumir o ministério da Saúde, hoje comandando por Nísia Trindade. Para o lugar de Padilha, que é responspavel pela relação com o Congresso Nacional, são cotados o senador Jaques Wagner (atual lider do Governo do Senado) e o próprio José Guimarães (líder do Governo na Câmara). O MDB tenta emplacar na pasta o deputado federal Isnaldo Bulhões, parlamentar governista atuante. O nome dele também é considerado para a liderança do Governo que, assim como a pasta das Relaçoes Institucionais, precisa de alguém com trânsito entre os parlamentares incluindo os dos grandes partidos de centro-direita.

MDIC, Justiça e Defesa

O presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), é cotado para várias pastas. O Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), acumulado por Geraldo Alckmin (PSB), é uma delas. O cargo aproximaria Pacheco do setor industrial, atualmente ligado ao governador Romeu Zema (Novo) e a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para muitos, o MDIC seria a posição perfeita para turbinar a candidatura de Pacheco ao Governo de Minas.

Advogado, ele é um nome cogitado também para o Ministério da Justiça, chefiado por Ricardo Lewandowski, e para Defesa no lugar de José Múcio.

Caso a configuração com o senador no MDIC se concretize, Alckmin poderia se manter apenas na vice-presidência ou acumular a pasta da Defesa. No entanto, Lula estuda ainda a possibilidade de manter José Múcio mais tempo no ministério responsável pelas Forças Armadas. Embora insatisfeto com a posição, Múcio ficaria na pasta pelo menos até a aprovação do polêmico projeto de lei que fixa idade mínima para aposentadoria dos mlitares.

Agricultura

O Ministério da Agricultura, comandado pelo senador Carlos Fávaro (PSD), é reivindicado pelo Progressistas, de Arthur Lira (PP-AL), nome ventilado para assumir o posto. No entanto, entre aliados de Fávaro a informação é de que ele está firme no cargo, assim como o colega de partido, ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que tem a pasta alvejada pelo grupo de Davi Alcolumbre (União Brasil), que deve ser o próximo presidente do Congresso Nacional.

MDS

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, que comanda a política do Bolsa Familia, pode ser substituído, Gleisi Hoffman é um nome possível também para este cargo que Lula manterá entre aliados de primeira ordem. O deputado federal Antonio Brito (PSD-BA), que seria candidato à presidência da Câmara, é um quadro possível para a pasta.

Mulheres e Ciência e Tecnologia

A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, alvo de denúncia de assédio, pode ser substituída pela ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos (PC do B), abrindo mais espaço para um partido de centro como o próprio PSD, caso a legenda perca a pasta da Agricultura para o PP.

Cotados

  • Secretaria-Geral da Presidência - deputada federal e presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann (PT);
  • Relações Institucionais - senador Jaques Wagner (PT-BA), deputado federal José Guimarães (PT-BA) e deputado federal Isnaldo Bulhões (MDB-AL);
  • Ministério da Saúde - ministro das Relações Instutucionais Alexandre Padilha (PT);
  • Ministério da Defesa - vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG);
  • Ministério da Justiça - presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco;
  • Ministério da Indústria, Comércio e Serviços - presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco;
  • Ministério da Agricultura - presidente da Cãmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL);
  • Ministério do Desenvolvimento Social - deputada federal e presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann (PT);
Por

Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.

Tópicos
 

 

Belo Horizonte