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O simbolismo do ato de Lula na Paulista e a estratégia de Flávio ao acompanhar de Brasília

O petista ocupou espaço tradicional de manifestações bolsonaristas, enquanto o senador acompanhou a apuração na capital federal, onde pretendia assumir a Presidência

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Flávio Bolsonaro e Lula, candidatos à Presidência da República
Anderson Romao/AGIF via AFP e Isabella Finholdt / NurPhoto via AFP

A escolha da Avenida Paulista para a comemoração da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem um simbolismo que ultrapassa a geografia eleitoral. Além de São Paulo ser o maior colégio eleitoral do país e o estado onde Lula construiu sua trajetória política, a avenida se consolidou como um dos principais palcos das manifestações bolsonaristas.

A ocupação do espaço por militantes petistas pode ser interpretada como um recado à direita e uma tentativa de marcar uma nova etapa política. Enquanto adversários de Lula buscaram ampliar sua presença no Nordeste, reduto histórico do petista, o PT escolheu celebrar a vitória no centro econômico do país e em um dos locais mais associados à mobilização da família Bolsonaro.

Lula manteve a tradição de acompanhar a apuração em São Paulo, no hotel que costuma utilizar em momentos decisivos das eleições. A escolha também preserva a proximidade com São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, onde o presidente vota e construiu sua trajetória como líder sindical antes de chegar à Presidência da República. A estratégia combina o vínculo com suas origens políticas e a projeção nacional proporcionada pela capital paulista.

Flávio Bolsonaro (PL) adotou um roteiro diferente. Depois de votar no Rio de Janeiro, seu principal reduto político e estado onde construiu a carreira parlamentar, o senador seguiu para Brasília para acompanhar a apuração. A escolha da capital federal também carrega simbolismo: Flávio permaneceu próximo ao Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo que pretendia ocupar a partir de janeiro. A decisão contrastou com a de Lula, que permaneceu em São Paulo, e colocou os dois candidatos em cenários distintos para aguardar o resultado da disputa.

As escolhas revelam duas formas de comunicação política. Lula apostou na força simbólica da Avenida Paulista, tradicionalmente disputada por movimentos políticos de diferentes orientações, enquanto Flávio concentrou sua expectativa na capital do poder federal. De um lado, a celebração pública da vitória em um espaço associado às manifestações bolsonaristas; do outro, a espera na capital federal por um resultado que acabou frustrado.

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Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.

 

 

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