Lula deve ir ao Congresso para promulgação da PEC do fim da escala 6x1, diz senador
A presença do petista reforça o protagonismo do presidente na proposta, avaliam aliados. A votação e a aprovação podem ocorrer nesta quarta-feira (14), em dois turnos

O senador Humberto Costa (PT) classificou como eleitoreira a mudança de posição do Partido Liberal (PL), que decidiu votar favoravelmente ao fim da escala 6x1. O parlamentar disse acreditar que, após as eleições, independentemente do resultado, a oposição tentará flexibilizar a proposta. Os opositores do governo, no entanto, não sinalizaram nenhuma iniciativa nesse sentido.
Em entrevista no Senado, o petista afirmou que a expectativa é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participe da cerimônia de promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), caso seja aprovada pelo Congresso Nacional. A votação pode ocorrer nesta quarta-feira (14), em dois turnos.
“Eu acredito que sim, porque é um tema tão relevante, tão importante para a população brasileira, tem tanto apoio das pessoas. Eu acredito que ele vai levar em consideração a possibilidade de vir”, afirmou Humberto Costa sobre o comparecimento do presidente.
A data da promulgação, no entanto, depende da presidência do Congresso e poderá ser marcada para esta quarta-feira ou para a próxima semana. Uma das datas prováveis é a próxima terça-feira (20).
Mudança de posição do PL
Humberto Costa também criticou a mudança de posicionamento do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. Para o parlamentar, o apoio da oposição à proposta busca evitar desgastes com os trabalhadores na reta final da disputa eleitoral.
“É uma jogada oportunista, até porque ele já está negociando, ao mesmo tempo, apresentar, se viesse a ser eleito presidente, aquela proposta do Rogério Marinho, que é a escala 7 por 0”, afirmou.
Segundo o senador, a decisão de votar favoravelmente à PEC seria uma estratégia para evitar desgaste político durante a campanha.
A líder do PT no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), também atribuiu a mudança de posição do PL a interesses eleitorais.
“Eu entendo que esse discurso deles caiu no vácuo, porque eles estão fazendo cálculo eleitoral e viraram voto. Estão dizendo que vão votar na PEC. Nós não. Nós estamos debatendo essa PEC desde 2019”, afirmou.
Segundo a parlamentar, a proposta tem mais de 70% de aprovação popular, o que teria influenciado a decisão da oposição. “Para nós, o voto é bem-vindo”, acrescentou.
Tentativa de flexibilização após as eleições?
Humberto Costa teme que, independentemente do resultado do segundo turno, parlamentares da oposição apresentem propostas para flexibilizar as regras aprovadas pelo Congresso.
“No próximo ano, isso é possível que eles queiram fazer”, afirmou.
O senador ponderou, entretanto, que uma iniciativa nesse sentido enfrentaria resistência do governo Lula, mesmo que a oposição conquiste maioria nas duas Casas legislativas.
“Ainda que eles possam ter maioria aqui no Senado e lá na Câmara, não vai ser uma tarefa muito fácil, porque o governo vai se contrapor a esse tipo de iniciativa”, declarou.
Questionada sobre a possibilidade de a oposição tentar flexibilizar a PEC após as eleições, Teresa Leitão demonstrou confiança na reeleição do presidente: “Não, porque Lula vai ganhar”.
Expectativa de aprovação
A líder petista também demonstrou confiança na aprovação da proposta ainda nesta quarta-feira, em dois turnos. Segundo Teresa Leitão, a PEC já conta com o apoio de 56 senadores, acima dos 49 votos necessários.
Após a votação em primeiro turno, a base pretende apresentar um requerimento para dispensar o intervalo regimental e permitir a segunda votação no mesmo dia.
“Temos votos, inclusive, da oposição. Houve um vira-voto por parte do nosso opositor, o PL, que é o principal partido que nos faz oposição. Então, acho que voto não vai nos faltar”, declarou Teresa.
Humberto Costa também aposta em um resultado favorável.
“O presidente da Casa é muito criterioso em colocar temas para a votação, especialmente temas que ele apoia. Então, eu acredito que já há uma certeza de como será o resultado e eu acredito que será positiva”, afirmou.
Para a base governista, a eventual participação de Lula na promulgação poderá reforçar o protagonismo do governo na defesa da redução da jornada de trabalho, em meio à disputa presidencial.
Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.



