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A estratégia de Lula ao assinar o contrato da BR-381 no Palácio do Planalto

Paternidade da entrega, nacionalização do tema, legitimação pública da relação com o setor: o combo do Planalto ao fazer o evento em Brasíla

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A estratégia de Lula ao assinar o contrato da BR 381 no Palácio do Planalto • Ricardo Stuckert / PR

O contrato de concessão da BR-381 foi assinado no Palácio do Planalto, na última quarta-feira (22), por motivos diversos, dentre eles para que o presidente Lula, que está impedido de viajar, participasse da solenidade.

Nacionalizar o tema

A duplicação da 381 é uma das principais demandas dos mineiros há cerca de três décadas, tendo sido prometida pelo próprio PT nos governos anteriores de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Ao fazer a assinatura no Palácio do Planalto, o governo reforçou a paternidade da ação, tentou valorizar a entrega e nacionalizar o tema, gerando notícias para os maiores veículos de imprensa do Brasil e ampliando a pauta. Se o evento fosse realizado em Minas, possivelmente a repercussão não teria sido tão grande.

Legitimação da política

Ao levar o empresariado do setor ao Planalto, o governo legitimou a política de sucesso na área de infraestrutura. O diretor-presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Marco Aurélio Barcelos, disse durante a assinatura que o setor privado está otimista. “A maior e melhor carteira de rodovias do globo terrestre!, afirmou.

Barcelos é mineiro, assim como Guilherme Theo Sampaio, diretor-presidente da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), que foi fundamental no processo de desmembramento da licitação para que o último leilão não fosse "vazio", como os qautro anteriores que não tiveram interessados.

O Governo Lula também aproveitou para divulgar o plano de concessões e fazer um balanço. O ministro dos Tranportes, Renan Filho (MDB), comparou os 15 leilões dos dois primerios anos do Governos Lula com os seis de todo o Governo Bolsonaro.

As criticas começaram com Bolsonaro e chegaram no governador Romeu Zema (Novo) que, convidado, não compareceu e foi extremante criticado por Lula e pelos ministros Renan e Rui Costa (PT). As críticas não pararam no evento, elas continuaram nas redes quando o deputado federal e ex-governador Aécio Neves (PSDB) resolveu questionar a efetividade da concessão e tomou uma invertida do ministro dos Transportes, certamente com aval de Lula.

Em resumo, Lula reforçou a paternidade da entrega para seu governo, nacionalizou a pauta e aproveitou para tripudiar sobre todos os seus adversários que se envolveram com o tema, mas não foram responsáveis pela entrega.

Para contemplar a participação dos mineiros, in locu, governo federal organizou outro evento, com a presença de ministros e demais políticos, para asssunção da empresa. Conforme a coluna adiantou, haverá uma solenidade no dia 06, em Ipatinga, quando a concessionária Nova 381 assume a administração do trecho até a cidade de Governador Valadares.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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